Nubes / Nuvens (II)

Por el aire andan plácidas montañas
o cordilleras trágicas de sombra
que oscurecen el día. Se las nombra
nubes. Las formas suelen ser extrañas.
Shakespeare observó una. Parecía
un dragón. Esa nube de una tarde
en su palabra resplandece y arde
y la seguimos viendo todavía.
Qué son las nubes? Una arquitetura
del azar? Quizá Dios las necesita
para la ejecución de Su infinita
obra y son hilos de la trama oscura.
Quizá la nube sea no menos vana
que el hombre que la mira en mañana. 

nuvens01

Pelo ar andam plácidas montanhas
ou trágicas cordilheiras sombreadas
que escurecem o dia. São chamadas
nuvens. As formas podem ser estranhas.
Shakespeare notou uma. Parecia
um dragão. Essa nuvem de uma tarde
em sua palavra resplandece e arde
e ainda a vemos em um novo dia.
Que são as nuvens? Uma arquitetura
do acaso? Deus, talvez, as necessita
para a execução de Sua infinita
obra e são fios de uma trama obscura.
Quiçá a nuvem não seja menos vã
que o homem que a contempla na manhã.

nuvens02

Jorge Luís Borges, in “Nubes” de “Los conjurados”

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