Canção do Estrangeiro / Chanson de L’Etranger

Je suis à la recherche d’un homme que je ne connais pas,
qui jamais ne fut tant moi-même
que depuis que je le cherche. A-t-il mes yeux, mes mains
et toutes ces pensées pareilles
aux épaves de ce temps ?
Saison des mille naufrages,
la mer cesse d’être la mer,
devenue l’eau glacée des tombes.
Mais, plus loin, qui sait plus loin ?
Une fillette chante à reculons et règne la nuit sur les arbres,
bergère au milieu des moutons.
Arrachez la soif au grain de sel
qu’aucune boisson ne désaltère.
Avec les pierres, un monde se ronge
d’être, comme moi, de nulle part.

Chanson_de_L'Etranger02

Eu estou em busca de um homem que não conheço,
que jamais foi tanto eu mesmo
quanto depois que eu o procuro. Tem ele meus olhos, minhas mãos
e todos os pensamentos semelhantes
às ruínas deste tempo?
Temporada de mil naufrágios,
o mar deixa de ser o mar,
transformado em água gelada das sepulturas.
Mas, mais longe, quem sabe mais longe?
Uma menina canta nos confins e reina a noite sobre as árvores,
pastora no meio das ovelhas.
Extraiam a sede do grão de sal
que nenhuma bebida sacia.
Com as pedras, um mundo rói
por ser, como eu, de lugar algum.

Chanson_de_L'Etranger03

Edmond Jabè, in “Chanson de L’Etranger” de “Chansons pour le repas de l’ogre

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