O futuro. As Carroças. Sem rodeios.

Para que falemos de futuro, temos que olhar para o passado. E para compreendermos o passado, basta que observemos o presente. Numa sociedade, construir edifícios, abrir estradas, legalizar direitos, proibir comportamentos, impor intentos, permitir ou limitar o uso de direitos, obrigar ou forçar os deveres, é o mais fácil de fazer. Temos feito.

O mais difícil, é que a própria sociedade entenda esses movimentos. Que a sociedade aprenda com os erros, assuma os defeitos, privilegie o próprio crescimento, não enquanto massa dinâmica que troca entre si ornamentos, mas grupos fortes e coesos de seres que se protegem, que se defendem, que em conjunto aprendem, que lado a lado, levam pela vida uma estrada cada vez melhor para deixar aos que nos seguem.

Somos um país de invejosos. Assim, sem rodeios!

Somos mais capazes de valorizar um instrumento, um aparelho, que a mais valia que retiramos do mesmo. Valorizamos mais o peso do ouro num dedo, que o amor que torna possível a ostentação do metal. Valorizamos o conforto da carroça, e muito pouco a força, a delicadeza, a robustez e o esforço do cavalo.
Os comportamentos são o mais difícil de mudar. Muitas vezes pela dificuldade de saber o que é o comportamento certo. Outras por ser difícil romper com os vícios instalados, muito mais fortes que o tabaco ou o álcool, pois não são facilmente detectados, não têm sintomas claros do controlo sobre as pessoas, mas sobretudo porque não existem terapêuticas, medicamentos ou centros, onde essas pessoas podem ser ajudadas.

Somos um país de sanguessugas. Assim, sem rodeios!

Somos capazes de obrigar 100 pais a trocar todos os livros dos seus filhos de um ano para o outro, apenas porque nos “compraram” a apreciação de um manual escolar.
Somos capazes de pagar por um atestado para não ir trabalhar. Somos capazes de ignorar uma dica a um amigo, para que ele não tenha mais do que nós, somos capazes de na fila de transito, ignorar aqueles que chegam, pela direita ou pela esquerda, apenas para que estejamos à frente deles um mero lugar, um mero metro e meio de lugar nenhum.

Citando Caius Julius Caesar ( 100-44 AC) “Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar.”

Somos um país de parasitas! Assim, sem rodeios!

O que interessa, é o relógio no pulso que segura a mão limpa, cuidada, que abana o vento à janela do quadrado com marca por fora, quando atrás vem gente, igualmente desfasada do presente, e quando ambos atiram pela janela o plástico, o maço, o lenço de papel cheio de muco, sem querer saber se na beira daquela estrada, vive ou não, um país que merece mais do que o possuir do antigamente.

Somos um país de crentes! Assim, sem rodeios.

Achamos que os faróis de nevoeiro são para as fotografias, aquelas que um dia nos vão tirar directamente para as revistas, achamos que somos únicos vestidos de um uniforme que, ao fim do dia retirado, toda a gente inveja.

E por isso, o compromisso que faço convosco, é que vamos mudar isto. Nós vamos mudar isto. Sejam quais forem as políticas, sejam quais forem as tendências. Vamos acabar com os computadores que pagam a mudança de manuais, vamos promover a permuta de livros, vamos promover a permuta de serviços, vamos sair do trabalho em grupos com espaços de 15 minutos para que o transito flua, vamos mostrar aos portugueses o verdadeiro sentido para o sentido da estrada única que temos: a vida!
Vamos valorizar a família. Não por tradição, não por necessidade de impostos para pagar as reformas de então, mas porque a família é o cerne da questão. Vamos promover o preenchimento do solidão, vamos fazer nós mesmo o pão. Vamos mudar isto. Vamos andar de mãos dadas a pé. Vamos fazer uma ruptura com o actual sistema que protege quem tem e retira o que não há, a quem não tem. Vamos ter livros e transportes gratuitos para todos os miúdos, ricos ou pobres. Vamos ter saúde e medicamentos gratuitos para os idosos. Vamos ter equipas multi disciplinares que os vão acompanhar durante o resto da vida. Vamos sorrir uns para os outros e vamos ter liberdade de escolha para ter um carro ou andar de transportes públicos, mas vamos valorizar quem podendo ter carro, anda de autocarro.

Quem pagará? Pagaremos todos.

No século 21, em que quem ganha é quem tem a maioria dos votos, não podemos ter outra coisa que não seja a defesa das maiorias. Este sistema medieval que quando confrontado com a perda dos lucros dos ricos, retira valor aos pobres para que os ricos se mantenham ricos, não é respeitar as maiorias. Num sistema político de futuro, sendo os ricos os promotores do crescimento apenas porque ambicionam mais lucro, não podemos permitir que quando o lucro diminui, sejam os operários a perder. Pelo contrário, se se gera riqueza com o trabalho dos operários, é porque são eles os cavalos. Quando a carroça entra na lama, é o cavalo que temos que salvar. Só assim, podemos reconstruir, comprar, fazer, outra carroça mais à frente.

Mais isso é mais à frente. Quando olharmos uns para os outros de frente, quando deixarmos de andar lado a lado sem nos vermos como andam os cavalos, quando deixarmos de nos comparar, enquanto carroças.

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