Som de Negro no exílio

Quando chegar a praia-mar
Voltarei a Santiago

Não de Cuba
não de Compostela

Pois não há no mundo lugares
que não me conduzam a Santiago

Não de Lorca
não de Guillén

Voltarei a Santiago
com o jeito que tem a dormir
o animal sedento de matriz

Com uma mão cheia de cardos
com a outra mão cheia de estrelas
voltarei a Santiago

Não de Cuba
não de Compostela

Mesmo que a morte de sete signos
com sete fôlegos me aguardar

Quando chegar a Santiago
se não encontrar praia-mar
ou praia-mar me enganar

Terei tremores cores dores
suores odores ardores furores

Serei praia-mar em Santiago

Não de Lorca
não de Guillén

Mesmo que a morte de sete signos
com sete fôlegos me engolir

Em Santiago

Não de Cuba
não de Compostela
Em Santiago de Cabo Verde!

som_de_negro_do_exilio02

Mário Fonseca in “Som de Negro no exílio” (Rabat, 1968)

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