O soneto da minha vida

Recompilo n’este soneto a minha vida

– Vi que o favor da corte era vaidade

Achei no amor desgostos e enganos:

Gastei no estudo a vista, o gosto e os anos;

Encontrei inconstância na amizade

– Astúcias me ofenderam a bondade

Aos benefícios, ingratidões e danos:

Tive valor, por prémios desenganos;

Os conselhos queixosos da verdade

– Julgou-se a cortesia abatimento

E chamaram lisonja ao que era agrado:

Dissipou-se no gasto e luzimento;

– Cortou-me a inveja o espírito elevado

Somente me ficou o entendimento

A fim de conhecer-me desgraçado!…

o_soneto_da_minha_vida01

Vicente Nicolau de Mesquita, in “O soneto da minha vida” (24 de Março de 1878)

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