O “Don” do Montepio Geral…

A ação solidária da Associação Mutualista Montepio Geral, é acrescida a este pela sua natureza mutualista e tem como principal fonte de captação de associados o facto de ser detentora da Caixa Económica que gere as suas funções mutualistas e que agora está transformado num Banco, o Montepio Geral.

Por razões demais conhecidas, sendo uma delas a falta de idoneidade apontada e/ou sob suspeição do Banco de Portugal, Tomás Correia – que irei a partir de agora designar por Don do Montepio Geral, porque é assim que se designam os chefes de atividades pouco éticas sejam estas nas àreas mercantis ou outras – foi afastado e/ou auto-afastou-se da administração do Montepio Geral.

Não obstante esse facto este continua a ser o Don do Montepio Geral, ocupando um lugar que lhe rende (dados de 2013, pois a partir daí quanto este aufere é segredo de estado balizado pelos Estatutos e tudo!!!) € 31.980,00/mês e se quisermos fazer as contas de forma anual, temos não só que multiplicar este valor por 14 vezes como acrescentar-lhe mais um subsidio anual (pago em Abril de cerca de 11% do rendimento total anual) assim e deste modo com dados de 2013 (os últimos conhecidos até ser imposta a lei de omertà que impôs segredo absoluto) de € 496.970,00. Ou seja este Don do Montepio Geral aufere à custa das quotas de todos os associados qualquer coisa como meio milhão de euros anuais, e poderíamos nos perguntar que este até faz um bom trabalho para justificar o que recebe?

Administração do Don Montepio Geral

Pois bem analisemos então o trabalho que este fez de uma maneira simples e em grandes números.

o_don_do_montepio_geral_01

A Associação Mutualista – Montepio Geral teve em 2015 prejuízos no montante de 393M (v. milhões) €. E estes prejuízos tiveram como causa imparidades – tecnicamente, imparidades significa perdas de valor das participações da Associação Mutualista no capital das empresas que se prevê, como fundamento, que não serão recuperadas e que não tinham sido registadas nas contas desta, perdas essas registadas nas empresas em que tem participação no seu capital.

As imparidades foram 350M€ na Caixa Económica, e 63,2M€ do Montepio Seguros – Lusitânia não vida – conforme consta da pág. 109 do relatório e contas que foi disponibilizado no site do Montepio.

Em 2013, 2014 e 2015 os prejuízos da Caixa Económica, resultantes da administração desastrosa do Don do Montepio Geral, somaram 728,9M€ como consta das contas divulgadas.

No Montepio Seguros – Lusitânia não vida – os prejuízos acumulados devem rondar já 100M€ – 54M€ no período 2012/2014 conforme consta das contas publicadas e o restante em 2015 – para que contribuiu a compra da Real Seguros – área de seguros do antigo BPN – assim e em relação a esta área e conforme consta do próprio relatório e contas da Associação Mutualista (pág. 109), devido aos elevados prejuízos esta teve que a recapitalizar, em 2014, com 18M€ e, em 2015, com mais 55M€ de prestações complementares e/ou suprimentos, por exigência do supervisor (a ASF). Foram também estas perdas enormes que obrigou a Associação Mutualista a registar nas suas contas mais 68,2M€ de imparidades.

Os prejuízos registados na Caixa Económica – 298,6M€ em 2013; 186,9M€ em 2014; e 243,4M€ em 2015 – obrigaram a Associação Mutualista, ou seja, todos nós que somos associados a recapitalizar a Caixa Económica 6 vezes com 1.400M€ – em poupanças/contribuições dos associados – desde 2010.

Primeiro para pagar a OPA sobre o FINIBANCO, que depois foi necessário recapitalizar devido aos prejuízos que reduziram os rácios de capital que seguidamente tiveram de ser reforçados por exigência do Banco de Portugal. Em 2010, os Capitais Próprios (ATIVO – PASSIVO) da Caixa Económica totalizavam 995M€, se somarmos os 1.400M€, dá 2.395M€. Mas no inicio de 2016 e após nova recapitalização de 300M€, os Capitais Próprios da Caixa Económica eram apenas 1.631M€, o que significa que foram delapidados pela anterior administração 764M€.

São estas perdas enormes que determinaram as imparidades de 350M€ que tiveram de ser registadas em 2015 nas contas da Associação Mutualista, o que isto significa é que a participação da Associação Mutualista na Caixa Económica vale agora menos 350M€.

Se analisarmos as coisas de forma ampla, o Don do Montepio Geral, administra o que é de todos nós de forma desastrosa com compras desastrosas – FINIBANCO e REAL Seguros – gestão que apenas dá prejuízo com imparidades – perdas totais – absurdas e recorre sempre ao fundo para que os associados contribuem todos os anos para cobrir os prejuízos desta gestão!!!

Em qualquer país do mundo isto tem um nome, incompetência e fraude, porque é que eu chamaria a isto outra coisa que não isso!!!

Mas há mais…

A Solidariedade da treta 

o_don_do_montepio_geral_02
A foto acima e o cartaz que lhe serve de fundo falam por si…aparentemente, porque a digressão e o show off que a acompanha, distribui apenas 8% do dinheiro coletado aos associados para este fim.

A Associação Mutualista – Montepio Geral tem uma particularidade que o individualiza face às outras empresas a: SOLIDARIEDADE. Que está instituída nos seus Estatutos e tem quota própria para o efeito, de € 2,00 por mês, ou seja, de € 24,00 por ano, num total que já ascende, a 15M€ anuais.

Num total de 632.931 associados que a Associação Mutualista – Montepio Geral tinha em 31.12.2015 esta verba atinge cerca de 15M€/ano em média e nos últimos oito anos a verba é de 10M€, ou seja, é muito o dinheiro entregue por todos nós para apenas um fim: SOLIDARIEDADE

Na análise ao ciclo de gestão iniciado com a presidência do Don do Montepio Geral, que começou em 2008, constata-se que, nestes 8 anos, o Fundo de Solidariedade teve de despesa 102M€, dos quais apenas 8M€ foram destinados à ação solidária, 25M€ a custos administrativos, e 69M€ a perdas e imparidades.

Vejamos o ridículo e a brutalidade dos números: 25M€ – em média 3M€/ano – para processar informaticamente uma quota fixa e 69M€ que se perderam em perdas e imparidades, fazendo uma conta simples: em cada € 10,00  coletados tendo como fim a solidariedade, neste últimos anos, € 2,50 foram para gastos administrativos e  € 6,90 foram perdidos!!! A solidariedade contou apenas com € 0,60 do total do contribuído pelos associados!!! Em termos globais isto não ultrapassa os 8%!!!

69M€ do que foi coletado aos Associados para a missão de apoiar quem mais necessita foram usados para cobrir os prejuízos que o Don do Montepio Geral provocou à Associação Mutualista e ao grupo que esta detém, comprometendo gravemente a segurança as poupanças dos Associados e desviando de forma flagrante os fundos que se destinavam apenas e só a um fim: SOLIDARIEDADE

Deste modo e nestes anos, 25M€ da missão de apoiar quem mais necessita foram para custear vencimentos escandalosos dos membros da Direção da Associação Mutualista – o presidente aufere o segundo salário mais elevado da banca, segundo a SIC, mais benefícios de reforma e pensões de viuvez de privilégio na sociedade portuguesa – e outros amigos do Don do Montepio Geral que são convidados para fazerem parte da área administrativa e de direção da Associação Mutualista, quase todos por norma reformados e convidados por administradores amigos e amigos doutros amigos, sem que o mérito meta prego ou estopa na seleção para os cargos que ocupam, funcionando tudo como um Caporegime opaco e sem nenhum controlo!!!

João Simeão, associado histórico da Associação Mutualista – Montepio Geral, numa análise muito justa que me enviou referiu-me que a gestão do Fundo de Solidariedade acorda no seu imaginário, a figura de Robin Wood mas ao contrário, ou seja tirando ao povo em favor dos ricos, igualmente à margem da Lei, porque na floresta do mutualismo não há Xerife que a faça cumprir – a tutela do Ministério da Segurança Social é cega, surda e muda – permitindo que o logro ande à solta assaltando os incautos e ele tem razão!!! Até agora a Segurança Social nunca verificou as contas do Fundo de Solidariedade como é de sua competência legal!!! 

Ao Estado cabe proteger os cidadãos e o associativismo da sua ameaça principal, o oportunismo, em particular nas grandes associações com impacto económico e financeiro relevante, legislando linhas vermelhas a respeitar na sua gestão, que é para isso que serve o Código das Mutualidades e a fiscalização o seu cumprimento através duma supervisão competente e atuante, o que não é, de todo, a situação que até agora se verificou!!!

Esperemos que mude!!!

Nota: Agradeço aos dados fornecidos por Eugénio Rosa e João Simeão que foram cruciais para efetuar este alerta/artigo/post.

Anúncios

Argumente

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s