Por ser Maçon serei um criminoso?

Essa pergunta que coloco no título é de retórica, mas sinto que tem atualidade, devido a acontecimentos recentes.

Antes demais e neste campo declaro que sou desde 2003, Mestre Maçon da Federação Portuguesa da Ordem Maçónica Mista Internacional “Le Droit Humain” – O Direito Humano e membro dos seus ateliers de Altos Graus – em grau que não interessa especificar, pois é indiferente para este artigo – e que nesta Obediência Maçónica são apenas do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Já fui membro de três Lojas nesta Federação, agora apenas de duas, a saber a RL (v. Respeitável Loja) Liberdade (de que fui um dos fundadores) a Oriente de Sintra/Lisboa e da RL Estrela da Manhã a Oriente de Aveiro, internacionalmente sou membro (em dupla filiação internacional) da RL Luz de Al-Andaluz a Oriente de Sevilha esta da Federação Espanhola da mesma obediência.

A Ordem Maçónica Mista Internacional “Le Droit Humain” – O Direito Humano, celebrou no passado mês de abril os seus 125 anos – primeira loja fundada em 4 de abril de 1893 – e para além de comungar de todos os princípios que transversalmente caracterizam todas as Obediências Maçónicas, tem três fatores que a distinguem das demais:

É apenas Mista, ou seja, as suas lojas são constituídas por mulheres e homens (livres e de bons costumes) que se candidatam de per si, ou seja, convites a haver são a exceção e não a regra;

É Internacional, ou seja, tem um poder central representativo de todas as Lojas Pioneiras, Jurisdições (até 120 membros e cinco lojas) e Federações (a partir de cinco lojas e 120 membros). Tem deste modo um(a) Grão Mestre da Ordem a nível internacional e uma direção única, que se chama Supremo Concelho, tanto o primeiro como o segundo são eleitos numa convenção internacional que se realiza, de cinco em cinco anos, em Paris;

Defende e pratica a continuidade iniciática, ou seja, todos os membros dos Altos Graus, tenham o grau que tiverem obrigatoriamente fazem parte de uma loja Azul, ou seja, de uma célula base;

E porque julgo que é um tema com actualidade, porque recentemente aconteceram duas coisas, uma no meu país e outra em Itália que me fizeram levantar esta pergunta, e passo a explicar estes dois acontecimentos.

Por aqui discutiu-se por motivos que nada têm a haver com a Maçonaria e/ou algum seu integrante a criação da chamada Entidade da Transparência e a revisão do registo de interesses a declarar ao abrigo da lei das incompatibilidades dos titulares de cargos políticos e mais uma vez alguns órgãos de comunicação social levantaram a lebre e a indignação de que o facto de alguém ser maçon mais uma vez não era incluído como se a declaração de algum político ser Maçon fosse em si um acto confesso de se ser um potencial criminoso, o que foi aliás o que aconteceu em Itália em que o recente acordo de governo entre o Movimento 5 Estrelas e a Liga Norte exclui um ser humano de ser governante, por apenas ser Maçon, pior no acordo de governo comparam mesmo os maçons a criminosos comuns.

Antes demais aqui refiro que já por aqui analisei o fenómeno que foi o Movimento 5 Estrelas em Itália e pensei que embora populista fosse um movimento até redentor da política e dos políticos italianos, após a análise do programa eleitoral que assinaram em conjunto com o movimento separatista, fascista e racista Liga Norte, apenas posso confirmar que o pior que pensaria não se confirmar, confirmou-se. O programa eleitoral dessa coligação populista/fascista assenta em linhas em que o ódio e a demagogia são a lei, pelo que não auguro nada de bom nem de positivo a este governo e sinceramente desejo toda a má sorte ao mesmo. Aliás a entrevista de Steve Bannon à CNN, um fascista norte-americano que só quer o mal da União Europeia e dos europeus, a desejar sucesso a este governo italiano e a louvá-lo é notório da perigosidade que este representa. Se bem que pelas primeiras medidas de juras de amor eterno ao €uro e de recusa de desembarque de mais de 150 crianças refugiadas, acto que só um estado bárbaro efectuaria, durará pouco tempo. A demagogia e o populismo, quando em demasia acabam por ser a morte certa de quem os promove.

Mas vamos lá centrar a minha intervenção naquilo a que me propus, ou seja ao pensamento à priori efectuado de compararem os maçons a criminosos, seja em Itália seja por aqui, em que eu seria pelo simples facto de ser Maçon criminoso e incompatível de ser político e/ou governante.

A pergunta que faço é a seguinte, será mesmo que os Maçons devem ser públicos se são pré-julgados apenas e só por o serem?

E já agora para quem me irá ofender ou enviar mensagens privadas de ódio após a publicação e publicitação deste artigo respondo que eles confirmam o porquê da maioria destes não serem públicos e também o porquê desses pré-julgamentos sem sentido!?!?!

Eu estou-me completamente a marimbar para as ameaças e até já me defrontei com alguns dos cobardes que as fizeram, mas nem todos têm o meu estofo.

Mas para esses pré-julgamentos basta um jornaleirosim porque um jornalista segue o código deontológico – mal preparado que ganha uns patacos e é um lacaio, porque está a recibo verde, de preconceituosos como os Belmiros e os Balsemões desta vida e que espalham o ódio encomendado contra quem não se pode defender como as Maçonarias em geral.

E porquê? Porque não é um corpo único, nem aqui nem em Itália nem em qualquer parte do mundo, as Maçonarias – eu digo Maçonarias porque existem diferenças muito profundas e insanáveis entre as obediências ditas liberais e adogmáticas e as dogmáticas e exclusivamente masculinas e que se auto denominam de “regulares” – são várias obediências, algumas tão dispares e tão diferentes como água e azeite que nunca se misturam e dentro destas, os Mestres Maçons são pessoas livres que respondem por si e pela sua ética e não sob as ordens de algum poder centralizado.

Esses pré-julgamentos por esses jornaleiros servem apenas para disfarçar as jogatanas dos verdadeiros donos disto tudo sendo que nem aqui nem Itália nenhum foi ou é Maçon, mas que é o suficiente para atear chamas de ódio na populaça e espalhar o mesmo contra um inimigo invisível.

Vejamos a crise de 2008, algum daqueles banqueiros foi Maçon, fosse aqui ou em Itália?

E os especuladores que cruzaram ações de bancos com ativos tóxicos ligados ao Imobiliário, nos EUA/USA e/ou Europa, eram Maçons?

E por fim algum governante, com responsabilidades económicas, financeiras e ou de de decisão direta nesta última década, em Portugal ou em Itália, esteve ligado ou foi alguma vez Maçon?

A todas a estas respostas, posso assegurar-vos, que a resposta é um rotundo: NÃO

Mas se vos disser que são conhecidas a muitos destes a sua ligação à Opus Dei, apesar desta organização nunca ter estado tão bem economicamente, o que confirma as minhas suspeitas que a cortina de fumo dirigida sempre para os mesmos fantasmas serve sempre o interesse dos mesmos de sempre, que estão longe de ser fantasmas.

E vejamos será que a Igreja Católica Apostólica Romana, que é a instituição que alberga essa organização corrupta e criminosa, chamada de Opus Dei, tem alguma responsabilidade por esta o ser e defender os interesses que defende seja na área económica, judicial e/ou policial

Dificilmente não acham!!!

Porque até foi ultimamente eleito alguém que é o oposto em valores para o Pontificado e não me venham com tretas que foi para disfarçar, pois no conclave apareceu um candidato dessa área que foi felizmente derrotado e o anterior titular, Ratzinger, não era mais do que um papa da Opus Dei.

Mas se fazem esta distinção entre esta Instituição e a outra que nesta e sob esta se abriga, porque é que não o fazem em relação a maçons e lojas que poderão não ter sido éticos como deviam e as Maçonarias no geral?

A resposta é simples: Porque não interessa!?!?!

Interessa esta capa de fumo para esconder os que sempre se aproveitaram do sistema e os verdadeiros poderes ocultos factuais que neste existem, que variam conforme as décadas mas que visam apenas uma coisa: Enriquecer-se contando com as falhas do sistema e praticando amoralidades

Esses sim, têm dinheiro para financiar artigos de jornais, em Portugal, e partidos, como a Liga Norte, em Itália.

São esses poderes fáticos que escaparam sempre pelos buracos da chuva em relação às crises que provocaram e que aparecem por detrás do financiamento ao fascista do Steve Bannon, à Frente Nacional – agora União Nacional, e onde é que já eu ouvi este nome – francesa, ao Rússia Unida de Putin, ao movimento do Brexit britânico – via financiadores e criadores da Cambridge Analytic – ou ao movimento do Tea Party/Alt-Right/K.K.K. que dentro do Partido Republicano dos EUA/USA que conjuntamente com este Presidente egocentrista, e candidato apoiado pelos mesmos, conseguiu na última reforma fiscal um abate de mais de 70% dos impostos que, os que o financiaram, pagavam!?!?!

Então a populaça já percebeu onde estão os que beneficiam com este caos?

E os nazis/extremistas de direita portugueses, do PNR, Hammerskins e/ou Nova Ordem Social, com relações internacionais com o movimento do Brexit, da (agora) União Nacional francesa, da Rússia Unida de Putin ou da Liga Norte de Itália irão continuar a espalhar o ódio por estas redes sociais para ver se eu e outros maçons temos medo de vós e nos calamos face ao que vocês representam?

Eu sei que muitos maçons não se estão para se expor, mas eu e outros não temos medo de vocês, seus racistas e vendidos com pele de cordeiro.

Eu e outros fizemos acusações directas da inserção de elementos da extrema-direita nas polícias e nas forças militares. Aliás os recentes casos de julgamentos, de agressões agravadas em esquadras contra cidadãos portugueses que foram agredidos só por terem uma cor de pele diferente, ou os casos de violência entre claques, são o corolário da impunidade que reina na inserção de membros e gangs de malfeitores do PNRHammerskins e/ou Nova Ordem Social, elementos racistas de claques de futebol e nacionalistas nessas instituições. O corolário é o criminoso Mário Machado, com inúmeros cúmplices nas diversas polícias e ramos das forças armadas portuguesas, ser candidato a uma conhecida claque de futebol, uma vergonha só permitida porque as autoridades deste país dormem, já deveria esse criminoso ter sido preso só por causa do ódio que promove e por se passear por aí de braço estendido em saudações fascistas, algo punível pela nossa constituição.

Finalmente o estado português parece que abriu parcialmente e em parte a pestana, pois pouco faltava para que estes facinoras se começarem a organizar em milícias armadas como existe em movimentos fascistas por essa Europa fora, como a Aurora Dourada grega, a Liga Norte italiana, o Jobbik e/ou Fidesz húngaros e a Rússia Unida de Putin que impunemente caçam homossexuais e emigrantes e/ou seus concidadãos de cor que não a branca pelas ruas e que fazem parte todos de entidades que vão buscar os seus financiamentos a quem controla FOX’s, jornais como o Público os grupos como a COFINA, entre outros, que são antros de criminosos e de promoção do populismo puro.

É interessante ver que até num assunto tão simples como o aumento dos preços de combustíveis se exclui que a verdadeira beneficiada com esse aumento, a GALP Energia, que aumentou 200% os lucros em três anos, é apagada dos responsáveis do aumento dos combustíveis, só porque tem dinheiro para silenciar todos os jornais e jornaleiros desta terrinha, continuando estes a insistir na carga fiscal que até diminuiu marginalmente nos últimos anos.

Um Maçon deve ser ético e não pode silenciar-se face à ignomínia e aos vícios que povoam as catacumbas e masmorras desta terra, por isso somos odiados, porque os desmascaramos e não nos calamos e contribuímos em muito para a sua queda e para que neste mundo valores positivos e transversais sejam uma realidade.

Valores como a Democracia, a Liberdade, a Solidariedade, os Direitos Humanos, os Direitos das Crianças, a Fraternidade, os Direitos dos Trabalhadores, o Laicismo e a Igualdade entre homens e mulheres foram e são bandeiras maçónicas que todos comungamos.

Enquanto existir um Maçon, quem defende a ditadura e a perseguição apenas com base em pré-julgamentos terá da nossa parte luta sem quartel, por isso é que somos tão perigosos na Rússia, na Hungria, em Itália e em Portugal.

E uma nota final para os maçons portugueses, ficar à sombra de ter contribuindo para criar coisas tão importantes como o SNS em Portugal é poucochinho, temos que reagir e perceber que não é a ser tolerantes com os intolerantes que por cá conseguimos atrair novos e jovens membros – mulheres e homens – mas sim a combater politicamente e socialmente por uma sociedade mais justa e solidária. Combatendo sem quartel esses facinoras, escondam-se estes sob a capa de jornaleiros ou de membros da extrema-direita que impunemente – e apoiados por elementos policiais – gritaram recentemente slogans fascistas à frente do palácio maçónico do Grande Oriente Lusitano. Porque quem se esquece que os anos de ditadura fascista foram anos de perseguição à Maçonaria dificilmente poderá lutar por essa sociedade mais justa e solidária.

A convocatória é simples: Não se calem, não se escondam e combatam os facínoras!?!?!

Quanto a mim não sou um criminoso e tenho orgulho em ser Maçon e de o dizer publicamente.

2 thoughts on “Por ser Maçon serei um criminoso?

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