:: Não sei… ::

Afirmei vezes sem conta: “não serei cúmplice!”

Na hora de votar, um militante tem uma obrigação adicional em relação à posição de cidadão. Um militante, não podendo dar-se ao luxo da acefalia ‘clubistica’ [a política é ou devia ser coisa séria], deve fazer das fraquezas forças e contribuir além do voto, com o trabalho voluntário de esclarecimento da população. Ser militante é conquistar minutos em todos os segundos do presente para o futuro, para a implementação do modelo que acha correcto. Mas ser militante tem ainda outra responsabilidade: Quem escolhe governantes, numa primeira fase, são os militantes.

Em democracia não há culpados únicos. A personificação da desgraça, da culpa, do roubo, da falta de valor num personagem, não pode esconder os assobios para o ar de quem, numa primeira fase, os escolheu. São os militantes dos partidos que escolhem os governantes. Essa é a responsabilidade outra de um militante. A culpa ou a glória pela escolha feita.
Não que a culpa possa transitar de quem age mal, para quem confiou o seu voto em quem prometeu fazer o bem. Mas porque acreditar que alguém fará o bem com o nosso voto, muitas vezes, não é sustentado nessa premissa. Os jogos de interesse, do empurra, do “dá-me um lugar” ou “fiz parte de um parolo aplauso” de época política, são por norma, a base para um apoio. Raramente se esmiúça ideologicamente o modelo. Sim! O modelo que escolhemos para ser o nosso governante.
Já bati palmas a escroques, confesso-me.
Aos militantes que não escolhem, porque a sua escolha não ganha, cabe o dever de fazer o contraditório, as perguntas incómodas, o cruzar dos braços no meio do barulho dos aplausos, muitos bacocos. É o que tenho feito: cruzar os braços para não ser cúmplice.

Mas chega o tempo de agir. Há sempre um tempo de agir. O voto é a forma de agir.

Mas um militante, ao contrário de um cidadão, não pode usar o seu voto de todas as maneiras possíveis, conforme a consciência. O militante assume com o seu voto uma consequência. “No dia que votar contra o meu partido, deixarei por consciência de dever não cumprido, a militância.” – afirmei duas ou três vezes. Esta frase persegue-me.
Bem sei que há o “ter valores” e o “agir com valores”. E também sei que muita boa gente assume a posição do mal menor, abdicando do compromisso que faz com a militância, ignorando a consequência pessoal e o dever individual de ostentar valores em todos os momentos, e vota contra o seu partido como forma de penalizar aqueles que dirigem [presumivelmente mal] a alternativa do momento.

Não sei se os admire, por tamanha capacidade de anular os princípios por algo melhor no futuro, ou se os critique por afirmarem algo e fazerem outra coisa diferente. Pior são certamente aqueles que são adeptos de um partido… São os piores militantes, é um facto.

As palavras, dizia eu uma vez, têm o poder de tornar real o seu sentido. “Não serei cúmplice!” – disse eu tantas vezes. Não serei!

Resta-me resistir à tentação de minorar os meus valores, como mal menor, para que seja possível ter internamente “um amanhã” que me cante…
Ou talvez me reste apenas agir em conformidade com os meus valores, e “no dia em que votar contra o meu partido”, por evidente embuste ideológico, “deixarei por consciência de dever não cumprido”, ou seja não ter sido capaz de evitar o engano, “a militância”.

O que são as palavras? Meros adereços? E os valores? Podem ser suspensos?

Não sei…

(20 Maio 2014)

:: MARINHEIROS ::

Parecia fácil não parecia? Um presidente, um governo, um primeiro ministro, um irrevogável trafulha, e uma oposição obediente. No fim, seria uma única solução: um amplo consenso para rescrever a constituição, eliminar a réstia de esperança dos portugueses num estado de direito, democrático. Um país com centenas de anos de conquistas, invenções e batalhas também perdidas, subjugado no século 21, ao poder do feudo.

Lamento em tom jocoso.

Em tempos de menos tecnologia, fomos capazes de vencer a censura, de vencer a captura de riqueza, de vencer a opressão do pensamento, opressão do sentimento, a opressão física mesmo! E vamos vencer de novo.

Hoje, as armas do feudo são mais evoluídas e mais fortes. Se antes nos impunham os bloqueios de resistência pela possibilidade da fome, do racionamento, hoje impõem-nos o silêncio por via da ameaça, por via da desgraça, por via da sedução do capitalismo que não fomos capazes de perceber e rejeitar.

Hoje, eles dominam a genética e são capazes de fazer pedras parecer ovos, são capazes de fazer passar raposas por pintos, que acolhemos com amor no nosso galinheiro.

Mas o que eles não sabem, é que os nossos galinheiros têm guardiões. Uma vez a raposa cá dentro, não sairá de cá viva, mesmo que leve dentro dela um sem número de incautos, papados, pintainhos.

Estamos a meio do cabo das tormentas. Não tarda, vão todos borda fora. Os feudais, os serviçais, as raposas, e os papados pintainhos.

Não fossemos nós senhores dos mares e da terra, descendentes de marinheiros…

:: Vespas ::

A verdade, a minha verdade, é que não tenho que acusar, condenar e executar Sócrates, para tentar provar aos outros, ou fazer parecer aos outros, que sou honesto. E essa, é uma grande diferença para muitos.

Eu não sei se Sócrates é ou não corrupto. Mas posso afirmar que não o é na proporção do que é divulgado. Também não sei se há muitas centenas ou milhares de outros corruptos em Portugal. Mas posso afirmar que os “factos” vindos a público, já afectaram outros, e que nunca vi uma reacção popular na mesma magnitude.

Talvez, se partirmos da base de que todos os políticos são corruptos, seja possível perceber melhor o que move tanta gente contra este homem em particular. Porque a diferença existe. Mesmo partindo de base da corrupção generalizada, não é qualquer tó, Pedro ou Paulo que tem este feedback amoroso/odioso.

Talvez porque este, mesmo corrupto (se o fosse) mexeu nos vespeiros que os outros apenas conviviam, sem agitar as entranhas dos mesmos.

Talvez porque este, ao invés de (apenas) gerir vida, como todos os outros, ter-lhe dado para ajustar verdadeiramente os níveis. Os níveis da maioria para cima, e os níveis do “senhor poderoso” para baixo.

Bem sei… Se ele tivesse vendido (com maioria absoluta em 2005-2009 poderia ter feito) 90% do país, estou certo, que nem os poderosos o odiavam tanto, nem tão pouco os portugueses, no geral, o estariam hoje a condenar em praça pública, tal e qual como na época medieval.

“Lá para os confins da Ibéria existe um povo que nem se governa nem se deixa governar” – são palavras de imperador. Eu acrescento que cá para os lados da Ibéria, existe um povo com uma falta muito grande de vergonha, de amor próprio, mas sobretudo, com uma atração muito grande pelas vespas do regime.

:: in dubio pro reo ::

Noticia reveladora!

“José Sócrates vai continuar em prisão preventiva. O Tribunal da Relação de Lisboa (TRL) não aceitou o recurso da defesa, mas decisão não foi unânime. Defesa alegava que era errado classificar este processo como de “especial complexidade”. Sem esta classificação, o processo que envolve o antigo primeiro-ministro teria outros prazos e este já deveria ter sido libertado.

A decisão final foi tomada por duas juízas, mas foi preciso um voto de desempate. O juiz José Reis que era inicialmente o relator votou vencido. Entende este desembargador que não há quaisquer indícios dos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais contra o antigo-governante.

Na declaração de voto que o juiz incluiu no acordo do tribunal, este tece mesmo críticas à investigação.

As duas juízas do TRL indeferiram o recurso de José Sócrates. Entenderam as desembargadoras Laura Maurício e Teresa Féria que, além de indícios dos crimes, há razões para que o Inquérito Marquês mantenha o estatuto de “especial complexidade”.

Mas é o voto de vencido do juiz José Reis que marca a história deste recurso. Alega o magistrado, ainda na sua declaração, que ouviu escutas e depoimentos no processo e “do que ouvimos constatámos que em momento algum o recorrente foi confrontado com, quaisquer factos ou indícios concretos susceptíveis de integrar o crime de corrupção. E seguramente não o foi porque simplesmente no extenso rol de factos que o MP lhes imputou eles inexistem”.

Para o juiz desembargador, o branqueamento e corrupção são faces da mesma moeda, irmãos siameses da mesma mãe e que, faltando a corrupção, caiem também a fraude fiscal e o branqueamento de capitais.

É certo que a investigação descreve a circulação de 23 milhões mas aqui o juiz vencido usa uma metáfora para arrasar a investigação: “Não se vê que se tenha focado na origem daqueles milhões, o que nos leva a configurar a imagem do viajante que, perante a largueza da foz do rio com que se depara, não cuida de descrever (e logo presume-se investigar) o seu percurso desde a nascente, presumindo e dando como adquirido que o abundante caudal que vê diante de si teve origem em tortuosos e recônditos meandros que levaram à formação de tamanha massa de água que se precipitou, sem fundamento ou justificação naquela foz”.

Por isso, sem indícios dos crimes, conclui o juiz vencido que não há razões para manter a “especial complexidade” do processo. “No fundo, este tribunal fica sem saber  o que concretamente, com relevância criminal, se está a investigar (…) sendo certo que não há complexidade alguma em investigar o nada, o vazio (…) in dubio pro reo”, conclui. 

in dubio pro reo

:: Vaidade ::

(3 Dez 2014)

“Os indícios são fortíssimos, as provas são consistentes e todo o processo foi descrito com clareza. “

Sim. A comunicação social indica isso. Mas não a justiça.

A justiça ainda procura que a história esteja condizente com a estória.

Onde está a acusação pá?

Bem sei… A acusação fica para quando se arranjarem provas, plantarem provas, inventarem provas.

Temos um preso político. Há muitas pessoas ainda sem certezas. Mas temos um preso político. E quando mais pessoas perceberem, pelo tempo que passa e provas nenhumas, de que a extrema direita não é um partido, mas sim um pilar de uma democracia violada pelo ocultar das intenções… Aí, nesse momento, não haverá pilar que não se derrube, não há super homem que se esconda na cabine, não há charlatão que passe por boa pessoa.

Estareis, por ventura, convencidos do sucesso desta iniciativa.

Com a classe política metade amedrontada pelo medo dos crimes cometidos, e a outra metade com medo até da liberdade de nenhuma incúria cometida, estareis convencidos de que vai ser fácil levar este povo para trás, para o tempo do “sr doutor por favor!”.
Mas mais cedo que tarde, acaba-vos o sopro desperdiçado de vida.

Tendes nome e vaidade. E isso, por si só, já garantiu o vosso último dia…”

:: Não reza a história ::

24 de Novembro de 2014 13:31 – Modo #Memória

Uma coisa é certa, Portugal será certamente, um local a incluir na nova versão da Bíblia, quando a 8ª geração de humanos na terra estiver a fazer escavações na história da nossa actual passagem.

A cena a encontrar nessa obra será o famoso apedrejamento à prostituta. E quantas prostitutas atiram hoje pedras à alegada prostituta. O resto da história, porque a história repete-se no seu essencial, clarificará. De um lado centenas e centenas de prostitutas. Daquelas que fogem ao fisco, fazem favores, dão-se literalmente para obter proveito. Vendem-se pronto! São putas para ficar mesmo claro.

Do outro lado estará a prostituta julgada na rua por putas. Toda a gente saberá o nome da prostituta. Já das putas… Não reza a história.

:: brumas ::

Se das brumas saltasse a história,

e a verdade jorrasse fluída a toda a hora,
talvez os canhões não disparassem por excesso de vergonha,
e o marchar fosse uma alegria,
tantos que seriam a tomar posse da glória.

Mas as brumas avançam caladas,
espessas, cinzentas…
Escondem tudo de todos, até as estradas,
sobrevoam as casas silenciadas,
e envolvem as pobres gentes de promessas de um éden…
povoado sobretudo,
de concubinas nunca desvirginadas…

Se das brumas saltasse história,
e não uma descrição aleatória,
conforme cada boca defende a própria saciada mixórdia,
talvez eu e tu e ele e os outros,
Talvez todos não fossem poucos,
E em fúria de ouvidos moucos,
Nada precisássemos de conquistar,
Apenas usar, distribuir, plantar…

Mas as brumas avançam caladas, espessas,
cinzentas, adulteradas…
Prometem a todos e todos aceitam,
Uns por cobiça outros por que já fornicam,
Concubinas nunca desvirginadas…

:: O Erro de Sócrates ::

O erro de Sócrates foi ter acreditado que tinha um partido socialista atrás dele. Nunca assumirá isso. Mas o erro dele foi achar que o partido socialista partilhava da sua visão da sociedade, assente nos alicerces que defendeu como fundamentais para ter alguma hipótese quando o mundo económico estourasse. E para termos alguma hipótese, só com mais e melhor formação, só com mais e melhor saúde, só com mais e melhores acessos, só com mais e melhores estruturas que, ou se faziam antes da crise, ou não se fariam por duas décadas.

Esse foi o erro dele: achar que no partido socialista existia algum estudo histórico e ideológico, quer para trás, quer para a frente.

Sócrates assumiu (em entrevista um dia) o erro de ter “governado em minoria após 2009” porque tinha que escolher um que as pessoas considerassem verdadeiramente um erro.

Pois eu acho que essa atitude foi a mais corajosa atitude que ele teve. Foi adiar o mais possível este governo de direita (coadjuvado por uma esquerda tesa no discurso mas frígida no consenso), lutar cá e lá fora na tentativa de que condições na Europa fossem criadas (como foram no fim de 2011 e nos anos seguintes) para impedir que a crise europeia se alastrasse.

Isto podia ter parado na Grécia e só não parou porque tínhamos um governo minoritário. Mas se tivéssemos um governo de direita em 2009, teríamos este retrocesso na mesma exacta medida (ou ainda além disto) com uma agravante: nem a troika os fiscalizaria. Como aliás, se percebe no nosso dia a dia…

:: Um jotinha que queria ser Rei – I :: (Ontem, hoje e amanhã)

Não adianta negar. Não seria a política o que a política é, se não víssemos misturados com coisas sérias, comportamentos de populismo ridículo, representações ampliadas e amplificadas de papagaios limitados, como se os cidadãos, ratos de laboratório fossem.
O povo, aquele a quem todos se referem mas com o qual parece ninguém querer misturar-se a não ser em campanhas, recebe ícones políticos com a alegria mais genuína. Já na antiga Roma o circo era mais importante que o pão. O ícone, aproveitando, enche o peito de ar e deixa-se levar pelo exercício demagógico de vestir, por breves instantes, a pele do Povo que em privado classifica de estúpido, e que em público insulta com palavras de amor eterno.

A verdade é que perante um determinado cenário político (…), que pode ser classificado de múltiplas formas conforme as colinas onde crescemos, o país empobrece a cada dia que passa na reformulação das regras democráticas com vista a manter o poder dominante. A ausência de sentido de estado e de urgência, dá grandes motivos para gargalhadas de campanha, mas de circo não passa, sem que pão exista na mesa da maioria que assiste.
A verdade, é que hoje deveríamos estar a resolver o conflito político (e ideológico) que surgiu, de forma célere e séria, mas o que vemos é um ‘propagandear meditático’ de estilos e formas que adiam a solução, seja ela qual for, que não representam nada de novo desde o primeiro avental de plástico oferecido como se ouro fosse. Adiamos assim, a solução de que precisamos como de pão para a boca.
A verdade é que hoje, já deveríamos estar a definir como sair da pobreza em que nos colocaram, com seriedade, com respeito próprio e mútuo. Mas o que vemos é a continuidade na propagação das imagens dos palhaços do regime, os quais querem dar a perceber à imensa comunidade, que nos percebem, que nos respeitam, e que por isso, uma vez por outra, até connosco se misturam…
A verdade é que tudo isto é demasiado mau para que possamos achar graça seja ao que for…
Ao fundo o cartaz desmonta(rá), da mesma forma que o país apodrece nas digestões mal feitas. E os homens que nos prometeram ontem que seriam os salvadores do hoje, e que seriam os guerreiros dos novos paradigmas do amanhã, na ânsia de provar a si mesmos que o Povo, tal como os mercados, é apenas um joguete, tocam ferrinhos para animar os incautos.

A verdade é que pensei que os portugueses já não quisessem mais políticos de feiras.

Mas a verdade também me diz, que eu não sou o povo alvo. Porque se a propaganda em mim não vence, é porque não foi desenhada para mim.
E isto redunda numa verdade universal: o circo, sempre foi a melhor forma de enganar a fome. Sobretudo, a fome de não ser iludido sem engenho nem arte.

E é por isso que o engodo vence quase sempre. A realidade, é muito mais difícil de aceitar.

:: Gatunos à solta ::

Hoje, convido os meus amigos a uma reflexão.

Durante todos estes dias, foram milhares de noticias as que saíram, algumas com pormenores muito detalhados, dos eventuais actos de corrupção, activa e passiva, tráfico de influências e fraude fiscal agravada. Pelo meio, centenas e centenas de coisas pessoais, que nada acrescentam a nenhum processo, mesmo de julgamento público, primário, obcecado, ficaram assim dispostos na praça pública.

Durante estes dias, muitas coisas foram escritas, comentadas, condenadas em cenários hipotéticos. Dezenas de pessoas atravessaram-se em frente aos cidadãos, fazendo juízos de valor, de personalidade, de conduta, sobretudo sobre aspectos (sabemos hoje) meramente pessoais.

Durante estes dias, rostos houve (não os podemos esquecer) que participaram num linchamento popular como não há memória na nossa história contemporânea.

Foram sucedidos. Essas noticias, essas pessoas, essas manhas, essas ridículas figuras, não percebendo que a vida, qual azeite extra-virgem, tudo coloca no lugar de forma individual… lá conseguiram que numa fase tão difícil na nossa história, e mais uma vez, colocassem os portugueses a discutir o acessório, para que o essencial passasse. Como passou.

Durante estes dias, chamadas telefónicas desde 2005, movimentos bancários desde 2000, percurso académico, político e pessoal desde 1990, familiares, amigos, colegas, assessores, chefes, subordinados… foram investigados.

Durante estes dias, várias ilegalidades foram cometidas com o argumento (validado pela opinião pública, incluindo a jurídica do mainstream) da procura da verdade, e da punição severa e definitiva, daquele que levou Portugal à bancarrota. Aliás, daquele que levou Portugal, Grécia, Irlanda, Itália, Chipre, Islândia, Espanha entre outros, à bancarrota. Isso e as decisões dos 30 dias de férias, a perda de subsidio de casa se morarem na cidade do tribunal, entre outras coisas…

Durante estes dias, todas as estradas, todas as escolas, todas as obras, todos os Magalhães, todas as decisões, foram verificadas. E, para espanto, chegamos ao dia em que presidente da república condecorou o costureiro da esposa… e ficamos a saber que, afinal, tudo se concentra numa alteração de um PDM no Algarve…

Bom… fica longo se mais disser.

Todos estes dias foram cheios de muitas coisas enquanto muitas outras foram escondidas.

Mas hoje, qualquer um dos portugueses, mais ou menos emprenhados pelos ouvidos e olhos, pode constatar que 100%, repito 100% das noticias a descrever crimes, que foram dadas nestes 200 dias, eram falsas.

O único homem verdadeiramente investigado em Portugal, está preso ilegalmente, como se pode ver em algumas capas de jornais e noticiários. Todos mentiram a seu respeito. Nada encontraram ainda, se alguma coisa realmente vão encontrar…

É caso para dizer: puta que pariu este país de virgens ofendidas. Até aposto, que em todas as redacções, em todos os comentadores, se encontram criminosos de toda a espécie. Desde a difamação até à apropriação de dinheiro público. O mundo está mesmo ao contrário… parece-me.

Os gatunos não só andam à solta, como mandam na estrada!

Atira-te!

Não interessa de onde. Não interessa para onde. Simplesmente, atira-te!
Antes isso, que pensares que viveste toda a vida porque limitaste o risco, quando o mais usual, é descobrires afinal que de tanto limitar o risco, não morreste… mas muito menos, estiveste vivo…

Atira-te!
Atira-te!

Gaiola Suspensa

gaiola suspensa medieval

Às vezes penso que, se um dia acordamos um pouco mais tarde, alguém coloca outro alguém numa gaiola destas em pleno século 21.
As redes sociais fazem-me, por vezes, pressentir o pior. Há um estranho cheiro no ar, provocado pelas próprias pessoas, ainda mais forte do que aquele que é provocado pelos poderes regressados do 24 de Abril.

O futuro. As Carroças. Sem rodeios.

Para que falemos de futuro, temos que olhar para o passado. E para compreendermos o passado, basta que observemos o presente. Numa sociedade, construir edifícios, abrir estradas, legalizar direitos, proibir comportamentos, impor intentos, permitir ou limitar o uso de direitos, obrigar ou forçar os deveres, é o mais fácil de fazer. Temos feito.

O mais difícil, é que a própria sociedade entenda esses movimentos. Que a sociedade aprenda com os erros, assuma os defeitos, privilegie o próprio crescimento, não enquanto massa dinâmica que troca entre si ornamentos, mas grupos fortes e coesos de seres que se protegem, que se defendem, que em conjunto aprendem, que lado a lado, levam pela vida uma estrada cada vez melhor para deixar aos que nos seguem.

Somos um país de invejosos. Assim, sem rodeios!

Somos mais capazes de valorizar um instrumento, um aparelho, que a mais valia que retiramos do mesmo. Valorizamos mais o peso do ouro num dedo, que o amor que torna possível a ostentação do metal. Valorizamos o conforto da carroça, e muito pouco a força, a delicadeza, a robustez e o esforço do cavalo.
Os comportamentos são o mais difícil de mudar. Muitas vezes pela dificuldade de saber o que é o comportamento certo. Outras por ser difícil romper com os vícios instalados, muito mais fortes que o tabaco ou o álcool, pois não são facilmente detectados, não têm sintomas claros do controlo sobre as pessoas, mas sobretudo porque não existem terapêuticas, medicamentos ou centros, onde essas pessoas podem ser ajudadas.

Somos um país de sanguessugas. Assim, sem rodeios!

Somos capazes de obrigar 100 pais a trocar todos os livros dos seus filhos de um ano para o outro, apenas porque nos “compraram” a apreciação de um manual escolar.
Somos capazes de pagar por um atestado para não ir trabalhar. Somos capazes de ignorar uma dica a um amigo, para que ele não tenha mais do que nós, somos capazes de na fila de transito, ignorar aqueles que chegam, pela direita ou pela esquerda, apenas para que estejamos à frente deles um mero lugar, um mero metro e meio de lugar nenhum.

Citando Caius Julius Caesar ( 100-44 AC) “Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar.”

Somos um país de parasitas! Assim, sem rodeios!

O que interessa, é o relógio no pulso que segura a mão limpa, cuidada, que abana o vento à janela do quadrado com marca por fora, quando atrás vem gente, igualmente desfasada do presente, e quando ambos atiram pela janela o plástico, o maço, o lenço de papel cheio de muco, sem querer saber se na beira daquela estrada, vive ou não, um país que merece mais do que o possuir do antigamente.

Somos um país de crentes! Assim, sem rodeios.

Achamos que os faróis de nevoeiro são para as fotografias, aquelas que um dia nos vão tirar directamente para as revistas, achamos que somos únicos vestidos de um uniforme que, ao fim do dia retirado, toda a gente inveja.

E por isso, o compromisso que faço convosco, é que vamos mudar isto. Nós vamos mudar isto. Sejam quais forem as políticas, sejam quais forem as tendências. Vamos acabar com os computadores que pagam a mudança de manuais, vamos promover a permuta de livros, vamos promover a permuta de serviços, vamos sair do trabalho em grupos com espaços de 15 minutos para que o transito flua, vamos mostrar aos portugueses o verdadeiro sentido para o sentido da estrada única que temos: a vida!
Vamos valorizar a família. Não por tradição, não por necessidade de impostos para pagar as reformas de então, mas porque a família é o cerne da questão. Vamos promover o preenchimento do solidão, vamos fazer nós mesmo o pão. Vamos mudar isto. Vamos andar de mãos dadas a pé. Vamos fazer uma ruptura com o actual sistema que protege quem tem e retira o que não há, a quem não tem. Vamos ter livros e transportes gratuitos para todos os miúdos, ricos ou pobres. Vamos ter saúde e medicamentos gratuitos para os idosos. Vamos ter equipas multi disciplinares que os vão acompanhar durante o resto da vida. Vamos sorrir uns para os outros e vamos ter liberdade de escolha para ter um carro ou andar de transportes públicos, mas vamos valorizar quem podendo ter carro, anda de autocarro.

Quem pagará? Pagaremos todos.

No século 21, em que quem ganha é quem tem a maioria dos votos, não podemos ter outra coisa que não seja a defesa das maiorias. Este sistema medieval que quando confrontado com a perda dos lucros dos ricos, retira valor aos pobres para que os ricos se mantenham ricos, não é respeitar as maiorias. Num sistema político de futuro, sendo os ricos os promotores do crescimento apenas porque ambicionam mais lucro, não podemos permitir que quando o lucro diminui, sejam os operários a perder. Pelo contrário, se se gera riqueza com o trabalho dos operários, é porque são eles os cavalos. Quando a carroça entra na lama, é o cavalo que temos que salvar. Só assim, podemos reconstruir, comprar, fazer, outra carroça mais à frente.

Mais isso é mais à frente. Quando olharmos uns para os outros de frente, quando deixarmos de andar lado a lado sem nos vermos como andam os cavalos, quando deixarmos de nos comparar, enquanto carroças.