Calypso / Calipso

Dríver drive fáster and máke a good rún
Down the Spríngfield Line únder the shíning sún.

Flý like an aéroplane, dón’t pull up shórt
Till you bráke for Grand Céntral Státion, New Yórk.

For thére in the míddle of thát waiting-háll
Should be stánding the óne that Í love best of áll.

If he is nót there to méet me when Í get to tówn,
I’ll stánd on the side-walk with téars rolling dówn.

For hé is the óne that I lóve to look ón,
The ácme of kindness and pérfectión.

He présses my hánd and he sáys he loves mé,
Which I fínd an admiráble pecúliaritý.

The wóods are bright gréen on both sídes of the líne;
The trées have their lóves though they’re different from míne.

But the póor old fat bánker in the sún-parlour cár
Has nó one to lóve him excépt his cigár.

If Í were the Héad of the Chúrch or the Státe,
I’d pówder my nóse and just téll them to wáit.

For lóve’s more impórtant and pówerful thán
Ever a príest or a póliticián.

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Maquinista, guia mais depressa e faz uma boa viagem
Até à linha de Springfield sob o sol cintilante.

Voa como um avião, não pares bruscamente
Até travares na Grande Estação Central, em Nova Iorque.

Pois lá no meio daquela sala de espera
Deve estar aquele que eu mais amo.

Se ele não estiver à minha espera quando eu chegar à cidade,
Ficarei no passeio com lágrimas banhando-me no rosto.

Ele é quem eu gosto de contemplar
– Acme de bondade e perfeição.

Agarra-me uma das mãos e diz quanto me ama,
O que penso ser uma admirável excentricidade.

Dos dois lados da linha os bosques são de um verde vivo;
As árvores têm os seus amores embora diferentes do meu.

Mas o infeliz banqueiro, velho e gordo, na luxuosa carruagem
Não têm alguém que o ame a não ser o seu charuto.

Se eu fosse o chefe da igreja ou do estado,
Empoaria o nariz e diria para esperarem.

Pois o amor é mais importante e poderoso
Que um sacerdote ou um político.

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Wystan Hugh Auden, dito W. H. Auden, in “Calipso” de “Diz-me a verdade acerca do amor” (maio de 1939)

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Mas qual povo pá!!!

Ai há uns meses o PCP promoveu uma marcha que intitulou de forma bem alegórica de “A Força do Povo” e encheu a Avenida da Liberdade graças mais uma vez aos fundos generosos que a CGTP-IN (que pelos vistos só tem filiados e militantes do PCP) e várias câmaras como a do Seixal, Almada e Setúbal (que pelos vistos só têm cidadãos que são militantes e votantes do PCP)!!! Esta marcha pretendia demonstrar que o “povo de esquerda” vota no PCP, é esta falácia que vos desmascaro por aqui!!!

PCP e não CDU!!!

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Pois é, anda-se sempre por aí a falar de CDU e que esta é uma coligação!!! Mas olhemos para a figura acima tentemos procurar quantos dirigentes e militantes do partido coligado ao PCP estão no palco, adivinharam: Três ou quatro!!!

É a CDU não existe, o PCP é a CDU e a CDU é o PCP, ponto final parágrafo!!!

É verdade existe um partido chamado de Partido Ecologista “Os Verdes”, ou PEV, que aparentemente é o outro parceiro da coligação da tal CDU que é o PCP, mas vamos ao site desse partido e ver se alguma vez já teve um programa de governo autónomo e o que é que vemos? NUNCA!!! NADA!!! UM GRANDE VAZIO!!!

No site temos apenas o programa do partido, pois é um partido que não tem nem nunca teve alguma vez um programa de governo autónomo, não é um partido mas sim “uma espécie disso“!!!

E no programa do partido para além de uma série de lugares comuns com amplas confusões entre conceitos e sobre “ecologia política” as duas únicas coisas que saem dessa área é: primeiro a defesa de uma democracia direta participativa de base, que manda assim umas bocas cheia de demagogia contra tudo e todos e defende uma maior proximidade entre eleitos e eleitores através de “ações de esclarecimento, debates, palestras, conferências, nomeadamente, procurando relações com a imprensa regional e participando conjuntamente com iniciativas sócio-culturais das instituições de base” ou seja uma democracia direta de rédea curta não vá o seu dono e senhor defensor do centralismo ditatorial democrático ficar chateado e acabar com a sua existência; em segundo lugar uma política a que estes chamam pomposamente “política externa pela paz, pelo desarmamento e pela cooperação entre os povos” que se formos a bem a ver é uma cópia fiel com outras palavras mais rebuscadas do programa do PCP na área intitulada “uma pátria independente e soberana com uma política de paz, amizade e cooperação com todos os povos” e já agora tiro o chapéu aos que escreveram o capitulo no PEV pois este está ligeiramente mais bem enquadrado, embora seja algo escrito em 2003, ou seja, à 12 anos!!! 12 anos em que este partido não tem nenhuma divergência de monta como o PCP!!!

Se dizem que são um partido autónomo e com órgãos próprios as perguntas que ficam são: Quando é que alguma vez o PEV concorreu sozinho? Já alguma vez apresentou um programa de governo autónomo? E alguma vez divergiram do PCP? Se sim, quais os aspetos e quando é que votaram diferente do PCP?

Se me apontarem alguma autonomia política e/ou alguma divergência com o PCP eu retiro o que digo!!!

De contrário o que temos na própria história do PEV é uma omissão quer na sua fundação quer de qualquer autonomia face ao PCP, por isso e como até nisso são omissos, até lá deixarei de considerar esta ficção de partido como algo existente!!!

Em quem é que vota o “povo” à esquerda?

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E é essa a questão que de facto interessa, em que é que vota mesmo o “povo de esquerda“? Acho que todos já sabemos qual a resposta: no PS!!!

O Partido Socialista tem um eleitorado consolidado entre os 28% e os 45% dos que se deslocam às urnas (a partir de 1991, ultimo ano em que o PS esteve a baixo dos 28%) o PCP tem um eleitorado entre os 7% e os 10% (a partir de 1991, que foi a ultima vez que o PCP teve mais de 10%), estes resultados nas eleições legislativas, que são as que decidem na realidade quem governa o país!!!

Por isso é que eu lanço a exclamação: Mas qual povo pá!!!

Um partido que tem no máximo 10% do eleitorado, desde 1991, diz-se representante doPOVO“, ou do “povo de esquerda” e que vota à esquerda!!!

Podem fazer todas as manifestações à custa e financiados pelos filiados da CGTP-IN (comunistas e não comunistas) e cidadãos de várias câmaras (comunistas e não comunistas) bem como todas as proclamações que quiserem, mas quando não chegam sequer a um terço do partido maior da esquerda parlamentar nas legislativas, qual é mesmo o “povo de esquerdas” que dizem representar?

Referem que o PS não é de esquerda!!! Isso quer dizer que a Esquerda apenas tem 10% do eleitorado em Portugal, e que e vamos imaginar que contamos com o BE, que só existe no máximo dos máximos de 20% (isto quando o BE teve o melhor resultado de sempre em 2009) de eleitorado de esquerda em Portugal?

O povo filiado na CGTP-IN? Mas não era a esta organização, embora financiadora à força de todas as ações do PCP, uma organização que também tem militantes de outros partidos com representação parlamentar como o BE (que relembro em 2009 ficou a escassos 0,61% e/ou 35 mil votos do PCP), por isso será mesmo de que povo? Eu sei que o BE, tende no tempo futuro a ser pouco mais do que os tipos das causas rabínas ligados ao PCP, mas até lá julgo que ainda são independentes, cada vez menos, mais ainda são!!! E o sector católico, do MAS e do PS nesta organização. será que não existe!!!

O “povo de esquerda” que se desloca às urnas e que só um em cada dez, no máximo, é que já votou neste!!!

Mas qual “povo de esquerda” pá!!!

Não consigo achá-lo!!! Ou será que não existe “POVO“, ou “povo de esquerda” no nosso país?

Claro que existe e este voto maioritariamente, quer o PCP goste quer não, vota no PS, pelo menos e sempre e de forma regular entre três a cinco vezes mais do que vota no PCP!!! Por isso parem de dizer que representam o povo!!! O povo, pelo menos o de esquerda, está-se a marimbar para vós, completamente e sem problemas!!! E pelo menos a partir de 1991, ou seja, desde à 23 anos para cá, não vê que haja à esquerda uma real alternativa ao PS para governar este país!!! E antes disso, o PS sempre teve bem mais do que o PCP pelo que qualquer ilusão momentânea que o PCP tenha tido de poder governar, isto após à ditadura que exerceu “no verão quente” em que governou por decreto e de forma não democrática, como aliás gostaria de poder fazer de novo!!! Pois é, o PCP já governou embora minta de forma descarada que nunca o fez, mas quando governou por decreto, muitos estragos fez!!!

O eleitorado e as bases atuais programáticas do PCP!!!

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E porque é que o “povo de esquerda” se está a marimbar para o PCP? Mesmo deste PCP já despido, desde a queda da cortina de ferro da ameaça estalinista, como parecia representar até então!!!

Porque o “povo de esquerda” em Portugal não é reacionário, nem soberanista, nem isolacionista, nem nacionalista, nem defensor de uma ditadura, nem anti-semita, nem racista social nem muito menos apoiantes de uma visão pouco mundividente do outro e dos nossos vizinhos!!! Com a queda do muro de Berlim acabou-se a limpeza publicitária que se fazia dos crimes que os regimes ditatoriais comunistas fizeram nesses países!!!

A partir de 1991, o PCP transforma-se, até como a implosão do CDS, no depositário de todos os cidadãos que fossem ou não de esquerda, que almejam em Portugal a implementação de uma ditadura, anti-republicanos, de um isolacionismo face a qualquer espaço (seja Ibérico e/ou Europeu), um nacionalismo económico, um patriotismo extremo, um racismo social simplista que promove a diferença entre o “eles” e o “nós“, um anti-semitismo básico e um antagonismo a tudo o que é estranho “a nós“!!! E quem este “nós“?

O “nós” branco, católico romano, conservador, fascista, nacionalista económico, patriótico anti-republicano, anti-semita e racista social a tudo o que é estranho e estrangeiro!!!

Pois é, por isso é que o BE teve sucesso no inicio, houve ali um certo “povo” que era realmente de esquerda, ou seja, que lhe fazia impressão serem conotados com estes “nós” que são o eleitorado atual e cada vez mais exclusivo do PCP!!! E que achava que o PS deveria ser mais liberal nos valores e menos moderado na área económica!!! Mas quando o PS abraçou na totalidade a liberalidade nos valores, o BE começa-se a esfumar, só basta como parece ser o caso, que o PS se assuma totalmente social-democrata na área económica ou seja sem problemas de esquerda e não centrista, para que o BE desapareça e dê lugar a partidos de esquerda pró-europeus, ecológicos e radicais!!! Como parece ser o caso com o LIVRE/Tempo de Avançar e o PAN!!!

Como é que um partido social-democrata, moderado economicamente, não racista socialmente, liberal em valores, patrióta democrático no sentido dos valores republicanos, aberto ao mundo, à Europa e ao espaço ibérico e que repudia o anti-semitismo e o racismo social simplista entre o “eles” e o “nós“, como é o PS, se pode aliar a um partido deste tipo e com este tipo de eleitorado?

É essa a questão que fica?

A resposta, essa infelizmente depende pouco do PS e do eleitorado que inutilmente votará PCP!!! Mas sim a uns quantos iluminados, ou seja, à cúpula da ditadura sindical/funcionária/autárquica que governa o PCP!!!

Por isso o estender de mão do PCP, ou seja, de um partido com estas ideias soa sempre a falso, pois pressupõem-se que o PCP quer a democracia e que irá jogar com cartas que sejam democratas. Se não são democráticos internamente, sê-lo-ão alguma vez numa governação?

É inútil a alguém moderado de esquerda e democrata achar que o seu voto fará diferença num partido que embora se aclamando disso tem pouco ou nada desse teor, seja no seu programa eleitoral, nas suas práticas internas, seja ao valor que dá à opinião do eleitorado que realmente lhe dá o poder!!!

Desilusão

Desiludido com o mundo,
Afrânio concluiu: «uns são filhos da puta,
outros só não o são
porque a mãe é estéril»

Decidido ao suicídio,
no alto da falésia hesitou:
«no mar não me lanço
que é demasiada sepultura.
Como receberei flores
entre tanto peixe faminto?»

Ante a fogueira, Afrânio desfez as contas:
«Na labareda, não.
Como me distinguiria,
depois, entre a cinza da lenha ardida?»

Quando na alta copa se pensou pendurar,
uma vez mais ele se avaliou.
E recordou o vizinho Salomão
que, de enforcado, se converteu em fruto,
seiva correndo na veia,
polpa viva a seduzir a passarada.

Afrânio regressou a casa,
resfregou as solas sobre os tapetes,
a esposa festejou o novo alento.

Engano seu, mulher; respondeu Afrânio
Eu apenas escolhi outro suicídio.
A minha morte é este viver.

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Mia Couto, in “Desilusão” de “idades cidades divindades” capítulo “cidades” (Maputo, 2006)

E os “porta-chaves” contam?

Pois é o problema dos debates, irei falar disso não no aspeto do fait-divers mas das implicações que isso trás!!! Ou seja o da não participação da coligação PàF num debate coletivo!!! Mas também falarei porque é que também não concordo com a participação do PEV nos mesmos, porque o que conta para um “porta-chaves político“, conta também para o outro, ou seja, o CDS-PP.

A coligação PàF

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Pois é a primeira coligação pré-eleitoral após as “AD” lideradas por Sá Carneiro em 5 de outubro de 1980, que me conste na altura quem falava em nome da coligação era o líder do PPD/PSD e e na altura o líder do CDS de então, Diogo Freitas do Amaral não se viu a representar o seu partido mas sim, e bem, a anular-se em favor do líder do partido maioritário que foi vencedor das eleições e formou governo!!! O que mudou em 35 anos? O líder do CDS, agora CDS-(v.)Paulo Portas e/ou Partido Popular como outros pensam que é o nome correto!!!

O “porta-chaves” do PPD/PSD acha agora que o partido que tem o seu nome não deve ser secundado, se o acha bem ou mal, foi tal “achismo” que serviu de desculpa para que o líder do maior partido da oposição achasse que não deve debater com os restantes partidos do arco parlamentar!!!

O “caso PEV”

A CDU não existe, é o PCP, aliás falarei disso no próximo post, por isso o “caso PEV” não existe, pois o partido nunca o foi, ou seja, é “uma espécie disso“!!! Aliás é conhecida a célebre frase que corre à boca pequena nos meios políticos, que o PEV, “é como a melancia ou seja é verde por fora e completamente vermelho por dentro“!!!

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Fez bem o PS, a PàF e o BE de declinarem ter o PEV como interlocutor num debate com forças políticas representadas na Assembleia da República, não só por esse assunto, ou seja, da sua não existência ideológica e política (nunca o PEV votou algum assunto diferente do PCP) mas também porque o mesmo se aplica ao CDS-PP na ultima legislatura este partido também deixou de ter existência formal e por esse motivo anulou-se ao coligar-se pós eleitoralmente e agora pré eleitoralmente com o PPD/PSD, por isso não se entende porque é que a PàF recusa uma coisa que é lógica e quando chega a hora de aplicar essa coisa a si próprio, julga que o mesmo não se lhe aplica!!!

O que iria ser a participação do PEV e do CDS-PP nesse debate quer coletivo quer nos debates entre os diferentes líderes parlamentares!!! Seria bonito ver quer o PCP quer o PPD/PSD terem duas caixas de ressonância no debate coletivo, com a mesma cassete a diferença é que Paulo Portas é bem mais assertivo do que Heloísa Apolónia, de resto dois partidos o PCP e o PPD/PSD seriam duplamente representados!!! Nos debates entre os líderes dos partidos com representação parlamentar se isso existisse seria uma comédia completa, como focou e bem, Porfírio Silva, dirigente nacional do PS!!!

Consequências políticas

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Já se notou que a PàF não tem programa e que os debates irão servir para pouco mais do que de forma bem demagógica atacar o PS, aliás e nesse aspeto a inexistência do debate coletivo até que são boas noticias para o PS, pois seriam BE, PCP e PàF contra o PS, não têm mais nada para apresentar, então estes últimos dois têm por razões diferentes sido um vazio de ideias e à sua maneira só servem as suas intervenções para atacar o PS!!!

No caso do PCP, só isso serve os seus interesses, a derrota do PS e o empobrecimento de Portugal, o quanto mais pior melhor os portugueses tiverem, quanto mais desemprego houver, mais pobres e mais desesperança e menos futuro melhor!!! Aliás o ter mandado calar os sindicatos dos professores e outros de defenderem os seus direitos e o de ter nunca ter apoiado manifestações espontâneas como a que ocorreu contra a TSU, demonstra de que lado está o PCP realmente, aliás do ponto de vista político contam-se pelos dedos as freguesias em que o PCP está coligado ao PS, sempre de forma informal não vá passar a imagem de que o apoiam, pois câmaras nenhuma existe, já em relação às coligações com a direita no seu todo e de forma formal (com acordos formais assinados) é por todo o país desde o norte ao sul e passando pelas ilhas com o garante de centenas de executivos de freguesias e de dezenas de câmaras e assembleias municipais!!!

No caso da PàF o uso das suas funções governativas para anunciar o que podem, desde subsídios aos agricultores, carros de bombeiros, ambulâncias e médicos novos, até e de forma ridícula obras que não irão nunca realizar, leis que sabem que não depende destes acabando em devoluções de impostos que sabem que nunca existirão, contam com a cumplicidade total e subserviente de todos os órgãos de comunicação social, absurdo, mas de facto o poder dos patrões destes órgãos, inclusive dos órgãos de comunicação públicos é de total submissão!!!

Mas quais as consequências da não participação do debate coletivo, vejamos e de forma sincera, acho que não serão nenhumas, para quê debater com dois partidos que para nada servem, o BE passou a nos últimos tempos a ser a “caixa de ressonância radical do PCP” e este partido nada faz do que atacar o PS, o PCP idem aspas, aspas!!!

Por isso embora demonstre que a PàF não quer debater, pois nada tem a propor nenhum mal ao mundo daí advirá, aos “porta-chaves” dá-se a importância que contam e em termos políticos e essa importância é nula e/ou inexistente!!!

Casida de la rosa / Casida da Rosa

La rosa
no buscaba la aurora:
casi eterna en su ramo,
buscaba otra cosa.

La rosa,
no buscaba ni ciencia ni sombra:
confín de carne y sueño,
buscaba otra cosa.

La rosa,
no buscaba la rosa.
Inmóvil por el cielo
buscaba otra cosa.

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A rosa
não buscava a aurora:
quase eterna em seu ramo,
buscava outra coisa.

A rosa
não buscava nem ciência nem sombra:
confim de carne e sonho,
buscava outra coisa.

A rosa
não buscava a rosa.
Imóvel pelo céu
buscava outra coisa.

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Federico García Lorca in “Casida* de la rosa” de “Casidas“, Madrid, (1969)

* A “casida (em árabe culto: قصيدة – qaṣīda, em persa/farsi: چكامه – chakâmé), é uma forma de escrita poética própria da arábia pré islâmica, esta forma de escrita tratava-se de um género poético que era normalmente extenso, ou seja, cada poema teria normalmente mais de 50 versos e em alguns casos teria mais de 100, numa versão tardia, foi adotada amplamente pelos persas, que a usaram assiduamente.

Por um país de pobres…

Soubemos à pouco tempo que o número de portugueses empregados a ganhar o salário mínimo de 11,3% (em 2011) para 19,6% e a juntar a isto que estes anos de crise retiraram 7,6 mil milhões de euros aos salários e deram 2,5 mil milhões de euros ao capital!!! O que pretendo vos demonstrar é que esta política não foi um acaso…mas sim algo deliberado e prosseguido pela primeira versão desta coligação e que agora pretendem como PàF e o seu programa de governo continuar…

O objetivo: “empobrecer”

Cedo, muito mesmo, este primeiro-ministro anunciou logo ao que vinha, e fiquemos pelas palavras dele que é para não me acusarem de demagogo: “Não vale a pena fazer demagogia sobre isto, nós sabemos que só vamos sair desta situação empobrecendo – em termos relativos, em termos absolutos até, na medida em que o nosso Produto Interno Bruto (PIB) está a cair” e acrescentou “Mas se alguém souber de uma forma de diminuir a dívida, o défice, enriquecendo e gastando mais, digam, se fazem favor, porque todos nós estaríamos em condições de adotar essas medidas fantásticas.

Mas empobrecer quem?

Bem por lado assistimos nestes últimos anos por parte dos pequenos empresários, trabalhadores e assalariados, pensionistas e beneficiários de prestações sociais do estado e necessitados em geral a uma quebra brutal dos seus rendimentos e ou apoios, e os cálculos do INE são claros e não deixam margem para dúvidas!!!

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Por outro assistimos ao aumento em mais de 35% dos rendimentos de capital, mas tal seria bom se esse aumento de capital fosse por exemplo para portugueses, que assim poderiam aumentar o rendimento disponível global existente no país, o problema é que esse rendimento foi esmagadormente para os acionistas estrangeiros que compraram a preço de pataco empresas monopolistas e/ou quase isso e que viram estes rendimentos a serem exportados para Angola, China e outros países europeus!!! E no mercado de capitais, o lucro pelos juros cobrados ao estado português foi integralmente para o estrangeiro!!! Os pequenos acionistas foram lesados em grande parte pelas quebras nestes últimos quatro anos do setor bancário e das telecomunicações, empresas que têm essa apetência de atrair ou por transformar clientes em acionistas ou por causa da publicidade que fazem desses “produtos“!!!

No outro lado tivemos em quatro anos e meio um forte quebra dos rendimentos dos trabalhadores, o desemprego massivo que se verificou nos primeiros três anos foi corrigido, muito graças à emigração de mais de 300 mil, destruição de mais de 400 mil postos de trabalho e a programas de apoio público ao emprego que atingem mais de 300 mil, mas e não seria justo se dissesse que também foram criados novos empregos, e quais os rendimentos desses novos empregados? Pois esse é que é o problema, não só os contratos precários, a prazo, têm aumentado (totalizando no início de 2015 mais de 645 mil) como a sua duração tem sido restringida a um ano (mais de 80% da totalidade), como o aumento dos trabalhadores que recebe agora o salário mínimo passou de 1 em cada 9 (com 11,3%) em 2011, para 1 em cada 5 (com 19,6%) em 2005, ou seja mais de 73% de aumento!!!

Os pequenos e médio empresários também sentiram grandes aumentos de impostos, por exemplo, só o aumento do IVA na restauração criou só em 2013, mais de 76 mil desempregados (um quarto do emprego existente então neste sector) e a falência de milhares de estabelecimentos, o problema é que o risco de falência destes empresários aumentou e os seus capitais próprios têm diminuído para conseguirem, os que sobreviveram, aguentar os seus negócios. Mas mesmo que o número de falências tenha diminuído o facto é que só em 2014 é que o número de empresas criadas suplantou as falidas!!! Tivemos então três anos de falências massivas de PME´s por causa de um governo que olha para os pequenos e médios empresários como inimigos pois as únicas medidas que nesses anos efetuou neste sector foram o aumento dos impostos (IVA, IMI & tardias transferências e acertos a impostos cobrados a mais), o aumento das rendas e por esse motivo a expulsão deste tipo de empresários dos centros das cidades e medidas para a promoção da denuncia por parte dos cidadãos de comportamentos desviantes!!!

O aumento de impostos incidiu exclusivamente no rendimento do trabalho, e os cortes também se verificaram apenas e só nestes rendimentos, a juntar a isto os pensionistas, a tal “peste grisalha“, sofreram brutais cortes e os apoios sociais foram reduzidos de tal maneira que o “impacto das transferências sociais (excluindo as pensões) na redução da pobreza diminuiu de 29,2% em 2012 para 26,7% em 2013, o que sugere que o sistema de proteção social não foi capaz de lidar com o aumento repentino do desemprego e com o consequente aumento da pobreza” e que por esse motivo “o número de pessoas em risco de pobreza e exclusão social aumentou 210.000 entre 2012 e 2013 (27,4% da totalidade da população portuguesa), o aumento “mais alto” da União Europeia, apontando que os indicadores de pobreza em Portugal se têm deteriorado com a crise económica e financeira” isto segundo um relatório da Comissão Europeia!!!

O futuro pela PàF!!!

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Já aqui apresentei quais seriam as grandes promessas desta coligação, que referem pomposamente como garantias, e algumas medidas na área social, nomeadamente nas pensões e na privatização e por arrasto destruição deste sistema!!!

Mas podemos antecipar que 2016 não será diferente nestas àreas do que foi 2015, aliás o “mentiroso compulsivo” que nos desgoverna todos os dias já veio afirmar várias vezes que não entrará em aventureirismos nestas àreas!!!

Então o que se passou na área dos apoios sociais em 2015? A juntar-se às centenas de milhões nos anos anteriores juntou mais entre 270 a 370 milhões de euros, e a diferença tem a ver com se o governo corta mais ou menos aos que menos têm, como devem calcular a fasquia já revista aponta para o valor máximo nestes cortes!!! A juntar a estes cortes temos o já anunciado corte de 600 milhões nas pensões em pagamento para os próximos anos e a reposição em quatro anos, sem nenhuma garantia de concretização pois este “mentiroso compulsivo” quando fala verdade cai-lhe um braço e ele ainda tem dois!!!

Resumindo, a PàF propõem-nos continuar a sermos um país de pobres ainda mais pobres, de trabalhadores a receberem cada vez mais o salário mínimo e em contratos cada vez mais precários e que o capital estrangeiro dos amigos destes continue a beneficiar de forma despudorada dos lucros e dos juros “da nossa dívida pública“!!!

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O que temos que fazer é simples, é dar-lhes um PàF e escolhermos uma alternativa séria que seja o contraponto total entre estes que nos desgovernam todos os dias!!!

O outro idioma

Inquirido
sobre a sua Fluência
em português, respondeu:

tenho duas línguas:
uma para mentir,
outra para ser enganado.

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A professora
ainda perguntou:
E qual delas é o português?

Já não me lembro, respondeu.

Mia Couto, in “O outro idioma” de “idades cidades divindades” capitúlo “cidades” (Maputo, 2006)

“O alemão” e o senso de ridículo…

Se não sabem na Grécia existe um nosso Secretário de Estado, o “dos assuntos europeus“, que é denominado como “o Alemão“. De seu nome Bruno Maçães tem a mania de se envolver em polémicas com a sua conta Twitter (@MacaesBruno)  e recentemente voltou a fazer das suas com um ex-assessor de Durão Barroso da UE, mas é a parvoíce de bate boca e queixinhas com um órgão de comunicação social internacional e muito influente, como o Wall Street Journal (v. WSJ) que vos relato com detalhe nesta postagem.

A alcunha de “O alemão

A alcunha explica-se rapidamente, numa viagem que este membro do (des)governo atual fez à Grécia, em novembro de 2013, onde participou numa mesa redonda sobre o tema “Governância económica e crise europeia” promovido pela Embaixada de Portugal em Atenas e pela Fundação Helénica para a Política Europeia e Estrangeira (ELIAMEP), dois diários do país publicaram artigos de opinião expressando surpresa com a proximidade do discurso de Bruno Maçães à posição alemã, o diário “Ta Nea” então próximo do partido socialista grego (PASOK) e num editorial não assinado, mas cuja responsabilidade cabe em regra à editora de política, referia-se ironicamente à “boa solidariedade” deste governante apresentado-o como um português que “fez de alemão“, um governante que o jornal considera ser “mais troikano que os troikanos“, por considerar que “não deve ser pedido mais tempo para os países intervencionados executarem as reformas exigidas pelos credores internacionais” já outro diário o “E Kathimerini“, Bruno Maçães é também descrito como “mais alemão que os alemães” por “proclamar com paixão quão importante é a disciplina fiscal.

O senso do ridículo…

Desde daí “o Alemão” não tem dado tréguas mesmo após ser criticado em Portugal, até por pessoas da sua área ideológica pelas atitudes que tomou, e muitas dessas posições pelo seu Twitter (@MacaesBruno) e são tantas que é fastidioso estar a repeti-las mas é por esta via que também demonstra a felicidade pela sua alcunha, eis uma foto que o correspondente alemão e pelos vistos seu chefe lhe devotou num dos últimos momentos em que Portugal mais uma vez foi ridicularizado pelos alemães:

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O nosso “o Alemão” mais uma vez entra no jogo e partilha com orgulho a sua alcunha, mostrando com um sorriso de felicidade em 24 de maio a sua subserviência aos ditames germânicos, por aqui costuma-se dizer: “quem não quer ser lobo não lhe veste a pele“!!!

Como vos referi mais recentemente o tal tipinho que é nosso Secretário de Estado dos Assuntos Europeus foi mesmo gozado por um jornalista, é quem não se dá ao respeito não o merece, o caso é explicado em breves palavras, Phillipe Legrain (que foi assessor de Durão Barroso na UE e agora é comentador económico da BBC) contestou o país das maravilhas onde “o Alemão” vive e em @plegrain (a sua conta do Twitter) lembrou ao mesmo: “sim, a economia de #Portugal ainda está 7,5% abaixo em relação a sete anos atrás! É isto a que você chama ter deixado os riscos para trás?” depois de alguns argumentos e contra argumentos por parte dos dois, e vendo que os argumentos do nosso (des)governante eram de tal maneira ridículos, um jornalista económico austríaco de seu nome Robert Misik (e que tem a sua conta Twitter como @misik) questionou se o nosso “o Alemão” era mesmo real e não um projecto satírico e escreveu: “@plegrain, que palhaço engraçado este Bruno é, Phillipe. Diz-me se este Tipo é um projeto satírico“!!! A resposta do jornalista da BBC não se fez esperar: “@misik às vezes eu penso que é, mas olhando para outros tweets deste, ele parece realmente um governante

Por isso não, não tem nenhum senso de ridículo!!!

A polémica com o Wall Street Journal

Após uma reportagem publicada em 17 de julho de 2015, intitulada “Portugal on Road to Recovery Post-Bailout, But Scars Remain” por este jornal norte-americano e na sua plataforma online pela jornalista e correspondente do WSJ em Portugal, Patricia Kowsmann, este nosso governante resolveu corrigir/censurar/pressionar a mesma à boa maneira do Estado Novo!!! E o que é que esta figura subserviente aos alemães escreveu na sua página pessoal, que os níveis de desemprego “estão agora nos mesmos níveis que estavam antes do resgate financeiro“, fazendo notar que a peça “ainda não foi corrigida” e argumentando que os números apresentados com base nos valores de Maio são ainda “preliminares

Eis então que não contente com a sua boca e a resposta da jornalista, que nem se deveria ter que defender mas que o fez mais por brio profissional e respeito aos seus eleitores do que por considerar quem fez o reparo, “o Alemão” foi direto ao chefe desta e editor-chefe de Bruxelas desta publicação, Stephen Fidler e como um puto a fazer queixinhas referiu: O desemprego está ao nível do pré-resgate. Vejo que ainda não corrigiu o artigo“. É claro que a resposta deste não tardou ao puto queixinhas e destacou na sua página desta rede social, uma frase da reportagem proferida por José Maria Costa, o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo. “O mais duro é ver a juventude a partir, deixando para trás um país mais triste e mais velho.

E esta triste figura efetuada por este “governante português” foi tal que outra jornalista, Gabriele Steinhauser, colega da primeira se envolveu provocou o puto queixinhas e escreveu: “O momento a que quer voltar é aquele em que a sua economia estava tão má que precisou de um resgate?” Não se tocando, “o Alemão” continua na sua senda de ficar ainda mais ridículo e respondeu a esta jornalista com um: “Gabrielle, o que temos estado a discutir é a eurocrise em economias de resgate. Alguma disciplina, por favor“. Ao dar esta resposta permitiu a uma experiente jornalista política, como é Gabriele Steinhauser, responder-lhe com um irónico: “É como dizer que no momento em que sai do hospital sentir-se como quando chegou às urgências. O ponto de partida deveria ser, em primeiro lugar, com toda a certeza, como se sentia antes de estar doente“!!!

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Seria de esperar que alguém depois de levar porrada de todos os lados e sendo governante de um país como Portugal tivesse o senso do ridículo e se calasse, pois, eis o problema não só não se calou como ainda foi mais ridicularizado!!!

Assim e diante estas respostas o nosso ridículo secretário de estado tentou reescrever o artigo com a sua verdade dos factos: “Desemprego em Portugal. Setembro de 2011: 13,2%. Abril de 2015: 12,8%. Caso encerrado“. Pois é mas foi logo de imediato corrigido pelo editor-chefe de Bruxelas do WSJ, Stephen Fidler, que referiu e bem: “Portugal quando foi aprovado o resgate, maio de 2011. Taxa de desemprego da Eurostat: 12,3%. Maio de 2015: 13%. Caso encerrado” E fazendo acompanha a sua resposta de um link para as estatísticas oficiais da Eurostat!!! E para a coisa ficar ainda mais clara este editor acrescentou ao artigo uma nota em que se explica que a base de comparação é de 2009 e não 2011. “A taxa de desemprego de 13,5% de Portugal para o primeiro trimestre do ano é cerca de três pontos percentuais mais alta do que a média de 10,7% em 2009, antes de a crise da dívida do país começar, de acordo com a Eurostat. A versão anterior dizia incorretamente que era três pontos mais alta do que antes do resgate, e não especificava o arredondamento dos números e a fonte dos dados.

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Após esta correção sabemos que o tal puto queixinhas agradeceu a mesma, tudo para não perder a face!!! Eis como um simples número que poderia passar despercebido num artigo sobre Portugal que até nem apresentava um quadro muito negro da situação, foi empolado, porque um (des)governante português decidiu corrigir/censurar/pressionar a jornalista que o escreveu e envolver-se em diálogos com o seu chefe e outra sua colega de profissão!!!

E eis como é que algo simples se transforma num motivo de noticia e de empolamento num órgão de comunicação que é mundial e que trucida putos metidos a queixinhas em dois tempos!!! Eis como estamos representados ao mais alto nível e como é que um (des)governante denominado e conhecido por “o Alemão” nos envergonha a nós enquanto povo ao fazer estas tristes figuras de tentativas de uso de caneta azul!!!

Las Trece Rosas / As Treze Rosas

Madrid se viste de luto,
por trece rosas castizas,
trece vidas se cortaron,
siendo jóvenes, casi niñas.

Malditas sean las almas,
de sus verdugos fascistas,
que con guadañas de odio,
segaron sus cortas vidas.

España es vuestra madre,
su cielo vuestra sonrisa.
sus campos tienen la sangre,
de unas rosas, casi niñas.

El pueblo de Madrid os quiere,
ese pueblo que abomina,
de salvadores de patrias,
de rojos y de fascistas.

Madrid es patria de todos,
su nombre solo mancillan,
el odio de los caciques,
cuya razón es la envidia.

Las rosaledas de parques,
de esta, nuestra España chica,
reflejarán vuestras caras,
vuestras sonrisas de niñas.

Benditas seáis mil veces,
benditas vuestras familias,
malditos los asesinos,
que nuestras rosas marchitan.

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Madrid veste-se de luto,
por treze rosas puras,
treze vidas foram cortadas,
sendo jovens, quase crianças.

Malditas sejam as almas,
dos seus algozes fascistas,
que com foices ódio,
colheram as suas curtas vidas.

Espanha é a vossa mãe,
o céu o seu sorriso.
mas seus campos têm o sangue,
de umas rosas, quase crianças.

O povo de Madrid que os quer,
esse povo que abomina,
de salvadores da pátria,
de vermelhos e de fascistas.

Madrid é a pátria de todos,
e o seu nome só é sujo,
pelo ódio dos caciques,
cuja razão é a inveja.

Os jardins de rosas em parques,
desta, nossa menina Espanha,
refletirão os vossos rostos,
e os vossos sorrisos de meninas.

Bendito sejais mil vezes,
abençoadas as vossas famílias,
malditos os assassinos,
que murcham as nossas rosas.

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Julian Fernández del Pozo, in “Homenaje a las trece rosas en su honor” (janeiro de 2004)

Os farsolas…

Um farsola em Portugal é uma palavra (infelizmente já em desuso) que é usada para quem é fanfarrão e/ou pretende passar por gracioso e não o é!!! A fotografia que apresenta este artigo apresenta os farsolas das ultimas semanas, e porquê? Porque os três à sua maneira tentam justificar um número de desemprego que Portugal não tem e a criação de emprego que não existe e que até não o é!!! Esta postagem serve para desmascarar a autentica farsolice que foi assumida por estes três nas ultimas semanas em relação a estes assuntos!!!

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Primeiro começou com a entrevista de Passos Coelho à SIC que já analisei por aqui e que o farsola que se diz Primeiro-ministro disse uma mentira clara e desmontada por um órgão de comunicação social na altura o Jornal de Negócios, e qual foi a mentira: “Nos primeiros anos [da legislatura] tivemos um agravamento do desemprego, um problema com o emprego, mas a partir de 2013 uma melhoria. Entre Janeiro de 2013 e Abril de 2015, vimos a economia criar mais de 175 mil postos de trabalho, temos mais pessoas empregadas hoje do que em 2013.” E segundo o farsolas na mesma entrevista este referiu que o emprego existe “em melhores condições.(…) Por cada empregado com contrato a termo, há três com contrato sem termo. A precariedade diminuiu ao contrário do que muitas vezes se apregoa.

Ora o mesmo jornal desmonta esta versão: “o Negócios escreveu que os dados utilizados pelo primeiro-ministro eram bastante enganadores em relação ao que aconteceu na actual legislatura. Agora, Passos Coelho utiliza números ligeiramente diferentes, mas no mesmo sentido. (…) o INE mostra(…) entre o quarto trimestre de 2012 e o primeiro trimestre de 2015, foram criados 40 mil empregos. Se a comparação começar no primeiro trimestre de 2013, os números são mais simpáticos, mas ainda longe dos valores enunciados pelo líder do Governo: 123 mil. A única forma de chegarmos a esses valores é utilizar dados mensais, ajustados à sazonalidade, comparando Janeiro de 2013 – o pior mês de sempre desde 1998 – com Abril de 2015. Se usarmos valores mensais não ajustados à sazonalidade, a criação de emprego até ultrapassa o que disse Passos na entrevista: 205 mil (…) o mais importante para avaliar a afirmação do primeiro-ministro seja o que aconteceu ao emprego antes do início de 2013, quando o PSD e o CDS-PP já eram Governo. Entre o primeiro trimestre de 2011 e o primeiro trimestre de 2013, 420 mil pessoas deixaram de estar a trabalhar em Portugal. O que significa que os 123 mil empregos criados são menos de um terço dos destruídos no período anterior. Um saldo negativo de 298 mil. Quanto à afirmação de que por cada contrato a prazo há dois sem termo, essa proporção não existe desde a tomada de posse desde Governo. Os contratos sem termo já rondavam os 77%/78% do emprego por conta de outrem. O que se assistiu durante a crise foi, isso sim, a uma destruição muito superior dos postos de trabalho mais precários (contratos a prazo e recibos verdes) devido a uma maior facilidade de despedimento que, ainda assim, não mudou a “relação de forças” entre o tipo de vínculo.

Ou seja e se formos curtos e grossos, mentiu com todos os dentes que tinha na boca!!!

O segundo farsola, Paulo Portas, numa entrevista no dia 21 do mês passado e ao mesmo canal e embora reconhecendo que foram destruídos algumas centenas de milhares de empregos, (vá lá!!!) referiu que foi o responsável por ter “puxado pela criação de 175 mil postos de trabalho entre 2013 e 2015“, ignorando assim os dados do total da legislatura, e referiu que “do ponto vista estatístico a única coisa que é relevante é que o desemprego, que já esteve nos 17,5% está na casa dos 13%“!!!

Então se o farsola que falar de estatísticas falemos lá delas, e falemos do desemprego real em vez do desemprego estatístico, como aliás foi referido por António Costa num encontro realizado em Odivelas que “se nós somarmos os 12,4% dos desempregados oficiais, os 7,5% daqueles que emigraram, os 5,5% daqueles que estão desencorajados e já não conto os 160 mil que estão nos programas ocupacionais nós verdadeiramente temos uma taxa de desemprego real na casa dos 25% e sim é esse termo estatístico que temos que tomar em conta:

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Como vemos no quadro acima até nos podem mandar todos areia para os olhos que não se pode negar as estatísticas, não aquelas retorcidas como as apresentadas por Paulo Portas, nem as mentirosas que foram apresentadas por Passos Coelho, mas as reais que calculam que o subemprego se situa por volta dos 4%.

E falando deste tipo de subemprego o que é que o fomenta, bem o trabalho precário ilegal, e o que cria o este trabalho é o trabalho precário legal que é fomentado por este governo e por causa desse assunto falemos então do terceiro farsola!!!

Anda por aí o tal farsola, de seu nome Mota Soares, que deveria ser o ministro do emprego deste (des)governo que nos governa todos os dias todo contente a inaugurar “call centers” da Altice e de outras companhias, e qual o problema?

Pois é todos estes centros criam empregos precários e são coordenados/criados por empresas de trabalho temporário e não criam reais empregos, por isso os tais 42 trabalhadores que agora aparentemente cria e os 180 futuros que poderão criar, são empregos precários de cidadãos mal pagos e em condições de trabalho que considero sub-humanas!!!

Eis o emprego que todo contente este farsola apoia, um emprego de trabalhadores que estarão nesse posto no máximo três contratos, pois ao final destes virão para a rua e no qual estarão a receber o salário mínimo e a fazer trabalho altamente qualificado!!! Resta dizer que Portugal é a Índia na Europa pois é o local onde se inauguram atualmente mais destes “call centers” que prestam serviços a nível internacional para uma Europa em que os salários mínimos são entre o triplo (Espanha) e o sêxtuplo (Alemanha) do nosso país, ou seja, não hão-de ficar estas empresas agradecidas a este governo, têm trabalhadores a preço de bananas!!!

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Entre a mentira, o retorcer dos números e as meias verdades e o apoio a empregos de miséria aproveitando-se de cidadãos que irão ser explorados e mal pagos eis o futuro que este bando de farsolas nos reservam!!!

El día que será / O Dia que será

Ya no importa saberlo. Será el día
del arco iris cómplice del agua
que llore demasiado por los muertos,
y habrá quizás en el ambiente estigmas
de señalada indecisión, palomas
que endulzarán la luz, gaviotas grises
salobres de renuncia y de recuerdo
y golondrinas, golondrinas blancas…
Hasta vendrán las olas más rebeldes
llenas de pez disuelto, a verte quieta
y a dejarte la brisa en vez del viento
sobre la piel, con terquedad amorosa.

Un día como tantos. De la huida
tan sólo quedará aquella palabra
que seguirá secreta, intraducible,
y, cada vez que vuelva el arco iris,
vendrás -roja, amarilla, azul y verde-
a pretender decirla.

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Já não importa sabe-lo. Será o dia
do arco-íris cúmplice da água
que muito chore pelos mortos
e haverá talvez no ambiente estigmas
de assinalada indecisão, gaivotas cinzentas
salobras de renúncia e de memória
e andorinhas, andorinhas brancas…
Até virão as ondas mais rebeldes
repletas de peixe dissolvido, para te ver quieta
e deixar-te a brisa em vez do vento
sobre a pele, com obstinação amorosa.

Um dia como tantos. Da fuga
tão só ficará aquela palavra
que continuará secreta, intraduzível,
e, cada vez que regresse o arco-íris,
virás – vermelha, amarela, azul e verde –
pretender dizê-la.

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María Beneyto i Cuñat, in “O Dia que será” de “Quase um pouco de nada” (2000)

Acabar com a “peste grisalha” de vez…

Sinceramente eu achava que a coligação PàF estava descoordenada e era pouco coerente até porque o programa de governo apresentado à uns dias teve pouco a ver com a apresentação dos cabeças de lista!!! Mas agora que conhecemos o cabeça de lista do PàF pela Guarda, que foi escolha pessoal de Passos Coelho sublinhe-se, e o programa de governo no respeitante à privatização do sistema de pensões, vejo que a coordenação e coerência é total!!!

A “peste grisalha“…

Num artigo de opinião, publicado a 10 de janeiro de 2013 no jornal I, Carlos Peixoto, o agora candidato por um dos distritos mais “grisalhos” do país, escrevia que Portugal tinha sido “contaminado pela peste grisalha”, em referência ao aumento da população idosa, e o envelhecimento da população portuguesa provocará uma “ocupação do nosso país por parte de imigrantes que tenderão a substituir as populações autóctones“, o que na sua opinião é “assustador” e “desafia a nacionalidade portuguesa”, e continua com as parvoíces referindo que o “envelhecimento dos portugueses e o incremento do seu índice de dependência“, para além de provocarem um “aumento penoso dos encargos sociais com reformas, pensões e assistência médica“, colocam em causa a “sobrevivência” de Portugal “enquanto país soberano“.

Depois de ter dito estas alarvidades racistas e de gosto discutível, mas de facto todos os cretinos têm direito numa democracia a ter a sua opinião, qual era a solução que apontava para a resolução do assunto, bem não era o aumento das contribuições para a segurança social, nem da população ativa criando empregos, nem a atração dos que emigraram, nem muito menos a atração de novos emigrantes, a única solução desta mente ignorante, ofensiva e racista eram duas: Fazei filhos e alterai a Constituição da República que tudo será resolvido!!! Sim referiu literalmente que se deve “procurar novas políticas de apoio à natalidade e novas formas de encarar o papel de um Estado que já quase não consegue desempenhar as missões fundamentais que esta vetusta Constituição lhe confere. Tenho para mim que o verdadeiro problema da nossa envelhecida sociedade não está no envelhecimento da sua população. Está no que os sucessivos governos não mudaram desde que a sociedade começou a envelhecer. Precisamos, todos, de mudar a nossa mentalidade, de a renovar, de apostar no incremento da natalidade. Se assim não for, envelhecemos e apodrecemos com o país.“!!!

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A privatização do sistema de pensões da segurança social…

E aqui chegamos ao ponto da eugenia social e económica da “peste grisalha” apontada pelo companheiro e amigo de Pedro Passos Coelho, no programa de governo que esta coligação submete ao juízo eleitoral no próximo dia 4 de outubro, é referido (na pág. 35): “A introdução, para as gerações mais novas, de um limite superior para efeitos de contribuição, que em contrapartida também determinará um valor máximo para a futura pensão. Dentro desse limite, a contribuição deve obrigatoriamente destinar-se ao sistema público e, a partir desse limite, garantir a liberdade de escolha entre o sistema público e sistemas mutualistas ou privados.

Ou seja hoje o sistema é obrigatório (e não voluntário) e porque é essa obrigatoriedade que permite que os meus pais e/ou meus avós possam receber a sua pensão, o que a PàF pretende é que os meus filhos e/ou netos não contribuam obrigatoriamente para o sistema fazendo com que eu não beneficie de nenhuma pensão!!! Ou seja e explicado por miúdos as futuras reformas públicas não existirão, e explico-vos porque não é um eufemismo estas minhas palavras!!!

Ao se permitir aos jovens que irão entrar no sistema que a partir de um determinado montante contribuam zero para o sistema de pensões retiram do sistema contributivo os maiores contribuintes e e fazem depender a atribuição da minha futura reforma dos contribuintes com menores rendimentos (que continuarão obrigatoriamente a descontar para o sistema de pensões público) deste modo e como não esperamos que haja um aumento substancial de jovens nos próximos anos, até pelo contrário devido não só às altas taxas de emigração como o de terem saído milhares de potenciais de jovens mães e pais, isto quer dizer que a minha pensão estará dependente dos meus concidadãos que ganham os salários mais baixos!!! O problema é que não é só a minha pensão mas a de todos os outros milhões que se irão reformar entretanto e que serão sempre mais do que os que com salários baixos financiam as nossas pensões!!!

E aqui fica a pergunta principal, como é que um sistema já de si deficitário que se pretende que seja ainda mais deficitário irá pagar as reformas futuras?

Pois é a resposta é simples: Não pagará!!! 

Mas e no fim de contas a quem não se pagará estas reformas futuras, pois é, a todos os que ganhem menos de um x tecto e que não puderam descontar para um sistema privado!!!

Os pobres, os remediados e os da classe média que não ganharão com certeza o suficiente para descontarem para um sistema de pensões privado.

Deste modo acaba-se de vez com a “peste grisalha” pelo menos com uma parte substancial desta pois ao não se poderem reformar e quando o fizerem ao não terem reforma, morrem à fome e indigentes desaparecem de vez e rapidamente, como acontecia aliás até 74 em Portugal onde apenas alguns poucos tinham direito a esta!!! Os restantes ou dependiam dos filhos ou viviam em casebres e alimentavam-se nas “sopas dos pobres“, conhecidas então por “sopas do Sidónio“!!!

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Eis então o que a PàF pretende, levar à pratica o que o cretino e racista do candidato do seu cabeça lista pela Guarda pretendia, ou seja, acabar com a “peste grisalha” de vez...

Buracos

Fartou-se de rir
Silvestre Vitalício
quando lhe falaram
do buraco do ozono.

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Como podem ser
tão supersticiosos?, perguntou.

Se o céu inteiro é um buraco!, argumentou.

Pecado é o Homem
usar seu vazio
para tapar esse altíssimo nada.

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Mia Couto, in “Buracos” de “idades cidades divindades” capítulo “cidades” (Maputo, 2006)

O dois em um…

Pois existem por aí umas promoções que se fazem nos estabelecimentos comerciais que tinham (devem ainda ter mas já as vejo menos) este sugestivo titulo de: Dois em um!!! Imaginem a alegria que senti ao ver que no dia 4 de outubro eu poderei beneficiar de uma apenas com uma cruz num boletim de voto!!!

Pois é roam-se de inveja caros cidadãos deste cantinho à beira mar plantado e que estão fora do círculo de Lisboa, eu como morador, habitante e cidadão eleitor da freguesia de São Domingos de Rana, situada no concelho de Cascais a oeste do circulo de Lisboa posso com uma simples cruz votar contra o líder do PPD/PSD, Pedro Passos Coelho e o líder do CDS-PP, Paulo Portas!!!

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Como moro neste círculo/região e sou “rico” e não posso beneficiar nem de formações preferenciais se for desempregado, apoios à minha empresa se for empresário e/ou apoios a certas obras se for autarca, posso ter este prémio de consolação!!! Que é com uma simples cruz riscar do mapa da política os dois lideres responsáveis pelos quatro anos e meio de destruição total do país!!!

Interessante como é que se concentraram neste círculo estas duas personagens demonstrando com esta candidatura um receio e uma insegurança enorme!!!

Receio de ter uma derrota estrondosa face ao maior partido da oposição que lhes contesta os resultados desastrosos e que apresenta apenas contra estes, só um dos autarcas mais populares e inquestionáveis que alguma vez se candidatou neste círculo e que foi durante dois mandatos completos (embora só tenha estado um mandato temos que nos relembrar que este foi eleito numas intercalares a dois anos e meio de ser reeleito) o Presidente da maior Câmara do país!!!

A insegurança não tem a ver só com o facto que atrás referi mas porque é um facto que não basta haver dois bons demagogos é preciso que estes tenham “obra” e “credibilidade” para se confrontarem com a do antigo autarca de Lisboa!!!

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Pois é não têm nem “obra” que se lhe compare, pois foi conhecido que este autarca em Lisboa investiu em obras de requalificação por toda a cidade e conseguiu manter apesar da crise o investimento em reabilitação e na criação de “ninhos de empresa” atraindo jovens empreendedores e novos habitantes (não só em idade como em ideias) a uma cidade que estava envelhecida!!! Enquanto isso e em todo o país os investimentos públicos pararam e a emigração cresceu não conseguindo este governo sequer ter um número positivo de empresas criadas quanto mais conseguir fixar jovens, sendo que os números da emigração nesta faixa etária são conhecidos, com bem mais do que duzentos mil a emigrarem nos últimos quatro anos e meio!!!

A “credibilidade” de ter cumprido a sua palavra, de ter baixado a dívida da câmara não só à custa do acordo com o governo sobre os terrenos do aeroporto mas porque desde o inicio do mandato este foi o foco, porque prometeu baixar os impostos sobre os seus cidadãos e cumpriu e por fim como foi bem sucedida a sua reforma e reorganização administrativa em que não só reduziu consensualmente as suas freguesias (de 53 para 24 agrupadas em cinco zonas de gestão ou Unidades de Intervenção Territorial) aumentando-lhes as responsabilidades e atribuindo-lhes verbas respetivas e isto sem olhar a cores políticas de quem as governa. No outro campo temos dois líderes que mentiram aos portugueses, pois apesar de nos fazerem passar pela maior recessão de sempre com o argumento de que iriam baixar a dívida pública, quatro anos e meio depois esta passou de de 91% para mais de 130% do PIB, que nos prometeram baixar os impostos mas que e anunciado por um seu Ministro das Finanças nos brindaram com “um enorme aumento de impostos” e por fim que nos impuseram uma reforma administrativa que apenas foi um corte cego nas freguesias e que nem sequer foi acompanhada de reais novas competências e/ou as verbas necessárias para o novo território que lhes foi atribuídas!!!

Com este historial de credibilidade prevejo que a derrota destas duas personagens será copiosa neste circulo ao ponto dos dois e cheio de medo se candidatarem por este para ver se literalmente “aguentam o forte” em termos de eleitorado!!!

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É caso para dizer que António Costa vale mesmo por dois!!!

Tríada / Tríade

El alivio que habrá sentido César en la mañana de
Farsalia, al pensar: Hoy es la batalla.
El alivio que habrá sentido Carlos primero al ver el
alba en el cristal y pensar: Hoy es el día del
patíbulo, del coraje y del hacha.
El alivio que tú y yo sentiremos en el instante que
precede a la muerte, cuando la suerte nos desate de la
triste costumbre de ser alguien y del peso del
universo.

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O alívio que César terá sentido na manhã de
Farsália, ao pensar: Hoje é a batalha.
O alívio que Carlos primeiro terá sentido ao ver a
aurora no vidro e pensar: Hoje é o dia do
patíbulo, da coragem e da acha.
O alívio que tu e eu sentiremos no instante que
precede a morte, quando a sina nos libertar do
triste hábito de ser alguém e do peso do
universo.

triade02

José Luis Borges, in “Tríade” de “Os Conjurados” (1985)

O mentiroso compulsivo…um problema de credibilidade!!!

Nas próximas eleições temos em confronto duas pessoas que irão provavelmente liderar o próximo governo e esse confronto mais do que de ideias e de lideranças é um confronto entre a personalidade, credibilidade e o trabalho que um desenvolveu enquanto autarca da maior Câmara do país e outro que foi Primeiro-Ministro de uma coligação nos últimos quatro anos!!!

Em relação à personalidade vou deixar que uma imagem de uma recente sondagem efetuada fale por mim, até porque sigo neste âmbito um pensamento do Confucionismo (embora talvez interpretado erroneamente mas assim divulgado) de que “uma imagem vale mais que mil palavras”:

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Pois em todas as categorias António Costa segue à frente de Passos Coelho e mesmo na que fica mais próximo que é a de Decidido este o supera por umas quatro décimas!!!

Mas há uma que não foi avaliada de forma direta, pois indiretamente quando se fala na “Com discurso de  verdade” talvez se esteja a perguntar isso, que é se este é mentiroso!!!

E eis que chegamos ao grande problema em questão, como é que se pode eleger um mentiroso compulsivo!!! Alguém que diz quase sempre meias verdades e/ou mentiras sobre quase todos os assuntos. E em vez de dizerem que estou a ofendê-lo gratuitamente, vou-vos dar três exemplos:

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O primeiro tem a ver com a célebre entrevista que este deu à SIC Noticias e na qual um Jornal o de Negócios apurou parcialmente algumas das respostas dadas por este se eram verdadeiras e/ou falsas. Pois bem numa amostragem a seis das perguntas respondidas, apurou-se que em quatro dizia uma meia verdade e/ou verdade retorcida, em duas mentiu deliberadamente e apenas e só numa é que falou verdade, mas nessa é referido que de facto este disse verdade não porque o fosse ou fosse uma evidência mas porque ao causar tal problema teve que ser obrigado a isso, mas será que Passos Coelho referiu que foi o seu governo que causou esse problema, a saber o défice do sistema de previdência público, pois não!!! Na prática disse uma meia verdade escondendo que tinha culpas no cartório pois ao não transferir verbas como estava obrigado para a CGA nos primeiros anos teve que o fazer obrigatoriamente a partir de 2013!!!

Um segundo exemplo tem a ver com a mentira deliberada não só dada nessa entrevista mas apoiada por este noutros momentos e por outros membros do governo de que as contas do memorando estavam mal feitas e de que ele não influenciou em nada estas negociações!!! A figura abaixo de uma manchete do Expresso de 1 de maio de 2011 de uma entrevista efetuada a Eduardo Catroga por este semanário na altura demonstra que não só isso é mentira como e até como foi comprovada por uma celebre fotografia de SMS que este mostrou ao Expresso que esse memorando inicial teve a assinatura do PPD/PSD!!!

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Entende-se que Passos Coelho queira fugir e dar todas as responsabilidade ao PS por esse facto, mas como se demonstra, seja pelo facto de o PPD/PSD ter liderado a coligação negativa (formada por estes, o CDS-PP, o PCP e o BE) que chumbou o PEC VI provocando o pedido de ajuda externa de Portugal à troika também negociou e como referiu Eduardo Catroga foi um dos que mais influenciou este memorando!!! Assinado a contragosto então pelo PS!!! Aliás a cara de funeral do anuncio da assinatura, contrastou com a alegria imensa que era então apanágio na sede do PPD/PSD e com o ar triunfalista de uma entrevista dada dias depois por Pedro Passos Coelho!!!

Em terceiro lugar soube-se hoje que afinal a tal ideia brilhante que Passos Coelho teve que levou ao desbloquear final das negociações com a Grécia e que abriu alas à jocosa campanha nas redes sociais da Juventude Socialista de #PORACASOFOIIDEIAMINHA nem sequer foi ideia deste!!! Ou seja e segundo o principal negociador Donal Tusk, “o primeiro sinal de que uma coisa dessas poderia ser aceite foi uma mensagem [SMS] do PM holandês Rutte. Quando lhes mostrei a proposta de Rutte para que 12,5 mil milhões de euros do fundo fossem usados para reembolsar dívida e 12,5 em investimentos, ninguém pareceu particularmente impressionado, mas a partir desse momento estava na mesa. Eis como é que alguém se descredibiliza não só internamente como e até externamente ao apresentar como sua algo que nem sequer teve algo a ver!!!

Eu diante destes factos e se fosse Primeiro-ministro pediria desculpas públicas e demitir-me-ia!!! Mas em Portugal eis como é que alguém que é mentiroso compulsivo por opção e na qual os órgãos de comunicação social não chamam à pedra nem se indignam!!! Aliás bem vistas as coisas, eis como é que os média lhe limpam a imagem todos os dias, apesar de todas a evidências!!!

Mas será que os eleitores o irão fazer nas próximas eleições legislativas!!! É na realidade essa a resposta que iremos ver respondida…

A concha / The shell / Раковина

Talvez não precises de mim,
Noite; da mundial voragem
Tal como a concha sem pérolas,
A tua margem fui lançado.

Tu espumas as ondas com indiferença
E cantas com teimosia,
Mas terás apreço, amarás
Da concha a inútil mentira.

Ao seu lado deitarás na areia,
Com sua casula te vestirás,
Um indestrutível e grande sino
Com ela na marola erguerás.

E as paredes da frágil concha,
Como a casa de vazio coração
Encherás com os sussurros da espuma,
Com a chuva, o vento e a bruma…

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Night, maybe you don’t need
me. From the world’s reach,
a shell without a pearl’s seed,
I’m thrown on your beach.

You move indifferent seas,
and always sing,
but you will still be pleased,
with this superfluous thing.

You lie nearby on the shore,
wrapped in your chasuble,
and the great bell of the waves’ roar,
you will fasten to the shell.

Your murmuring foam will kiss
the walls of the fragile shell,
with wind and rain and mist,
like a heart where nothing dwells.

a_concha01

Быть может, я тебе не нужен,
Ночь; из пучины мировой,
Как раковина без жемчужин,
Я выброшен на берег твой.

Ты равнодушно волны пенишь
И несговорчиво поешь;
Но ты полюбишь, ты оценишь
Ненужной раковины ложь.

Ты на песок с ней рядом ляжешь,
Оденешь ризою своей,
Ты неразрывно с нею свяжешь
Огромный колокол зыбей;

И хрупкой раковины стены,
Как нежилого сердца дом,
Наполнишь шепотами пены,
Туманом, ветром и дождем…

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Osip Mandelstam, in “A concha” de “A Pedra” (1911)

O “fantasma” ou um PàF de demagogia!!!

Nos próximos dois dias o atual primeiro-ministro estará em duas entrevistas mas é assim que denomino o que se passa em relação à apresentação de propostas por parte da coligação Portugal à Frente e/ou PàF!!! Por um lado temos o PS com uma base económica para construir uma alternativa, um programa de governo e agora até os cabeças de lista por círculo (aqueles a quem realmente liga quando olha para as listas) e do outro temos um enorme fantasma!!! Sim um fantasma de fundamento económico, um fantasma de programa de governo e um fantasma de cabeças de lista por círculo, e o pouco que se conhece, é um verdadeiro PàF à demagogia!!!

Primeiro vamos à base macro-económica na qual o governo baseia o seu governo, pois é não a conhecemos!!! Ou seja o governo segundo a coligação PàF baseia-se nas metas do Documento de Estratégia Orçamental de 2014-2018 (v. DEO 2014-2018), metas essas enviadas em Abril do ano passado e tendo por base um enquadramento macro-económico completamente desatualizado e com um rigor absurdamente nulo!!! Como é que estes acusam o cenário macro-económico do PS de irreal se o documento deles diz que Portugal iria crescer 1,2% (pág. 16 do DEO 2014-2018) e na realidade cresceu 0,9%!!! Outra previsão falhada foi o nível de dívida pública seria de 126% do PIB em finais de 2014 e que a evolução seria no final deste ano de 122% e descobrimos nem à cinco dias que a temos num valor superior a mais de 130% do PIB!!! São estes os números que são a base de um programa de governo da coligação PàF, ou são estas previsões um PàF a todos nós de modo chamarem-nos a todos de estúpidos!!!

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Segundo o programa de governo, pois é não existe!!! Aparentemente tanto o PPD/PSD como o CDS-PP andam por aí a aprová-lo em órgãos nacionais mas o que conhecemos até agora são nove promessas eleitorais batizadas pelos que nos pretendem dar um PàF de garantias, e quais são!!! Ora vejamos: Portugal não voltará a depender de intervenções externas e não terá défices excessivos; uma legislatura de crescimento económico robusto e gerador de emprego, tendo a ambição de criar condições para um crescimento económico médio de 2% a 3% nos próximos 4 anos; a redução continuada do desemprego seja a prioridade máxima, pondo a promessa/garantia que este baixe, pelo menos, para a média europeia; a eliminação progressiva da sobretaxa de IRS e a recuperação gradual do rendimento dos funcionários públicos, repetem que a proposta deles de o fazerem em quatro anos é que é viável que todas as outras, não o são; as reformas na Segurança Social serão feitas por consenso e respeitarão a jurisprudência do Tribunal Constitucional e que lançaram um novo programa ambicioso de redução da pobreza; um Estado Social viável e com qualidade, dando como exemplo um Serviço Nacional de Saúde universal e geral que proporcione um médico de família a todos os portugueses; que querem a inscrição na Constituição um limite à dívida pública; que a próxima legislatura dará particular importância às questões da demografia, da qualificação das pessoas e da coesão do território; e por fim que o Estado será mais justo e eficiente, e querem uma sociedade com maior autonomia e liberdade de escolha.

Então vamos lá analisar estas promessas (que foram acompanhadas por um documento intitulado “Linhas de Orientação Geral para a Elaboração do Programa Eleitoral“) e que foram intituladas pomposamente de “Carta de Garantias“, uma à uma, é que não tendo um programa de governo é só o que temos como base:

Portugal não voltará a depender de intervenções externas e não terá défices excessivos” no fundo prometem algo que ninguém pode prometer como primeira garantia/promessa começamos mal pois esta é um imenso hino à demagogia, pois ninguém pode cumprir esta promessa!!!

uma legislatura de crescimento económico robusto e gerador de emprego, tendo a ambição de criar condições para um crescimento económico médio de 2% a 3% nos próximos 4 anos” esta promessa em si encerra uma contradição que poderei dizer que é quase insanável, é que se estes se baseiam como cenário macro-económico no tal DEO 2014-2018 e se na pág. 16 deste documento é proposto um crescimento de 1,6% para 2016 e 1,8% para 2017 e anos seguintes não vejo qual a sustentação de tal promessa!!! Acho-a mais difícil de cumprir pois falhámos como já referi a previsão de 2014 que era de 1,2% tento na realidade um crescimento de 0,9!!! Diante deste PàF de demagogia confrontado com um documento existente é interessante constatar que um governo que acusa de demagogia terceiros deveria olhar para si e para as suas garantias/promessas antes de atirar um número que nem este próprio acredita!!!

a redução continuada do desemprego seja a prioridade máxima, pondo a promessa/garantia que este baixe, pelo menos, para a média europeia” outra grande demagogia apontada por esta coligação, vejamos o tal DEO 2014-2018, na tal pág. 16, já referenciada anteriormente, são apontadas também as previsões de desemprego, e quais são? Pois bem em 2015 aponta para 14,8%, descendo respetivamente para 14,2% em 2016!!! Ou seja e vejamos que o governo até foi muito pessimista nas projeções e que até as posso calibrar com o erro que ocorreu na previsão de 2014 que não foi de 15,4% mas sim de 13,9% na sua média anual, ou seja menos 1,3%, e corrigindo estas previsões para uns otimistas 13,5% e 13% respetivamente para 2015 e 2016. Vejamos quais são as perspetivas para o desemprego na união europeia para 2015 e 2016, de 9,8% para UE como um todo e 11,2% para a zona euro e para o próximo ano de 9,3% e de 10,6% respetivamente!!! Olhando para as perspetivas do tal DEO 2014-2018 que são as previsões no qual o governo acredita e mesmo corrigindo essas previsões com o erro de 2014 e traduzindo assim um cenário otimista, vemos que para 2015 e 2016 as previsões do governo ficam acima da média da união europeia 3,7% e da zona euro 2,3% e no próximo ano os mesmos 3,7% para a união europeia e 2,4% de diferença para a zona euro!!! Num relance e com os documentos e dados que podemos ter acesso esta promessa é uma demagogia tal sem nenhuma sustentação de previsões macro-económicas!!! Vejamos quem mesmo é que erra previsões!!! E quem é que está a ser sério no debate, se nem mesmo esta coligação sustenta promessas em documentos que produziu enquanto governo!!!

a eliminação progressiva da sobretaxa de IRS e a recuperação gradual do rendimento dos funcionários públicos, repetem que a proposta deles de o fazerem em quatro anos é que é viável que todas as outras, não o são” bem por aqui entramos no campo da projeção e de que irão fazer o que não fizeram nos últimos dois anos apesar das promessas!!! Acreditaremos nós mesmo que irão devolver algum rendimento, também me lembro que não se iria cortar o subsidio de férias e de natal, pois bem vimos o que aconteceu!!!

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as reformas na Segurança Social serão feitas por consenso e respeitarão a jurisprudência do Tribunal Constitucional e que lançaram um novo programa ambicioso de redução da pobreza” o problema no meio destas promessas simpáticas é que soam a falso. E soam a falso porquê? Primeiro nunca respeitaram as decisões nem a jurisprudência do Tribunal Constitucional em relação a estes assuntos, aliás são campeões nos chumbos!!! Por fim porque não nos esquecemos das reais intenções da Ministra das Finanças que traduziu a real vontade deste governo que é o corte definitivo de 600 milhões nas pensões atualmente em pagamento, sendo essa intenção completamente recusada pelo PS e aliás nem sequer foi apresentada a este partido tal desiderato quando fizeram essa promessa à União Europeia!!! Por isso qual consenso e qual respeito pelas decisões do Tribunal Constitucional, se até agora não demonstraram nem uma nem outra?

um Estado Social viável e com qualidade, dando como exemplo um Serviço Nacional de Saúde universal e geral que proporcione um médico de família a todos os portugueses” também registamos esta promessa como uma promessa/garantia cheia de demagogia, e porquê? Vejamos o que é que esta coligação nos prometeu quando se propôs a governar, que haveria um médico de família para todos os portugueses, e qual era a situação então e atual, bem não é a mesma e bem pior!!! E porquê? Bem com a emigração de mais de 400 mil portugueses e um crescimento de nascimentos abaixo deste saldo migratório anual o número de utentes sem médico de família vem decrescendo ao ritmo do saldo migratório anual!!! Mesmo se distribuindo mais utentes por cada médico de família apenas se conseguiu manter o que já existia!!! E se em quatro anos nada fizeram para combater este problema, acreditamos nós que o farão nos próximos quatro anos?

que querem a inscrição na Constituição um limite à dívida pública” outra promessa/garantia cheia de boas intenções, é conhecida a oposição do PS em relação a esta medida, por isso é outra promessa vazia e que serve para vender à população “gato por lebre“!!! Mas porque é que a fazem, julgam estes Chico-espertos à boa maneira da Chico-espertice política reinante que podem por aí vender que sem esta medida constitucionalmente consagrada o PS irá de novo voltar aos défices excessivos e que esta medida teria o dom de a evitar!!! Não entrando em profissões de fé pela primeira parte, posso vos assegurar que não é porque uma coisa estar escrita na constituição que esta será uma realidade!!! Esta norma tornar-se-ia até pelo seu incumprimento em determinados anos, numa norma morta, esse incumprimento é permitido pelos Tratados Europeus, mas que os Chico-espertos do PPD/PSD+CDS-PP consideram que não deve ser permitido a Portugal mesmo quando estes nos últimos anos nunca cumpriram este critério ficando sempre acima dos tais 3% que estes pretendem pôr na Constituição!!! Eis como é que uma demagogia é facilmente desmontada, basta-nos perguntar a quem faz essa promessa/garantia se não a cumpriram nestes últimos quatro anos, apesar da brutal recessão e dos brutais cortes que nos impuseram, quais é que serão as garantias que eles apresentam que a cumpriram no futuro!!!

que a próxima legislatura dará particular importância às questões da demografia, da qualificação das pessoas e da coesão do território” pois!!! Apenas podemos contar com o que fizeram nos últimos anos em que apesar dos plano demagógicos apresentados decresceram de forma continuada e nos últimos dois anos os nascimentos abaixo dos 80 mil e desde 2011 abaixo dos 90 mil, que acabaram com toda a formação dos adultos ao ponto dos números estarem 30% abaixo por exemplo no Ensino Superior o número de entradas decresce, num período de cinco anos, de 23 mil alunos para pouco mais de 16 mil com este valor representando um corte de mais de 30% no total de alunos com mais de 30 anos a frequentar o ensino superior, por fim e na coesão do território soubemos à poucos meses que a diferença da prestação dos cuidados de saúde entre o litoral e o interior se agravou consideravelmente, eis então um grande respeito em relação à coesão territorial, isto sem contar, que a emigração afetou bastante mais o interior que o litoral!!! Mais uma vez pergunto-me se nada fizeram nos últimos quatro anos e muitos nestes campos qual é a garantia que apresentam que farão isto nos próximos quatro anos?

que o Estado será mais justo e eficiente, e querem uma sociedade com maior autonomia e liberdade de escolha” outra promessa sem nenhuma sustentação e aqui teremos que ir mais longe, vejamos o que é que eles querem dizer com esta aparente linguagem neutral? “Como referimos atrás, a nossa opção é defender e revigorar o Estado Social e as suas condições de viabilidade em sectores tão importantes como a saúde, a segurança social, a educação ou a luta contra a pobreza. A nossa orientação é mesmo, no perímetro dos serviços públicos, diversificar projetos e aumentar a escolha. Isso não é incompatível, como a experiência de décadas claramente demonstra, com políticas de contratualização com os sectores da economia social ou com a iniciativa privada que obedecem a um quadro legal definido e a uma regulação forte. ou seja e explicando por miúdos entregar à iniciativa privada e às IPSS´s a gestão de serviços públicos nas àreas da saúde, a segurança social, a educação e luta contra a pobreza!!!

Ou seja o que se pretende de forma clara é entregar a gestão de pobres e dos apoios a estes a instituições como o Banco Alimentar Contra a Fome substituindo o estado assistencial num estado caritativo!!! Privatizar e/ou municipalizar as escolas de modo a que o estado central se livre desses custos atribuindo aos municípios esse ónus ou caso estes não o possam fazer que também os privatizem!!! E por fim atribuir à gestão privada hospitais com os felizes exemplos que foram os que até agora tiveram essa gestão e/ou às misericórdias de modo a que a Igreja Católica Apostólica Romana possa estender a sua influência e ter mais uns negócios à custa do investimento efetuado por todos nós, confessionais ou não dessa religião!!! É assim que se mostra a subserviência deste ministério a uma Igreja, apesar de o seu Papa cada vez mais recusar que a sua Igreja viva à custa de negócios poucos claros!!!

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Fazendo um resumo simples do que atrás foi referido a PàF pretende apresentar-se aos eleitores com promessas/garantias que são baseados em dados macro-económicos que não acreditam, em promessas/garantias que não se baseiam no passado pelo contrário vão contra este prometendo de forma demagógica amanhas que cantam e por fim na única proposta/garantia que parece ser diferente lá voltam com o desmantelamento e privatização dos serviços públicos nas àreas da saúde, segurança social e educação!!!

Aguardamos por isso que um “fantasma” apareça mesmo que até agora o que conhecemos é um PàF de demagogia!!!

Homenagem à declamadora Maria de Jesus Barroso Soares

Prometeu

Abafai meus gritos com mordaças,
maior será a minha ânsia de gritá-los!

Amarrai meus pulsos com grilhões,
maior será minha ânsia de quebrá-los!

Rasgai a minha carne!
Triturai os meus ossos!

O meu sangue será a minha bandeira
e meus ossos o cimento duma outra humanidade.

Que aqui ninguém se entrega
– isto é vencer ou morrer –
é na vida que se perde
que há mais ânsia de viver!

Joaquim Namorado, in “Prometeu” de “A Guerra e a Paz”

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Phonographo

Vai declamando um cómico defunto.
Uma plateia ri, perdidamente,
Do bom jarreta… E há um odor no ambiente
A cripta e a pó — do anacrónico assunto.

Muda o registo, eis uma barcarola:
Lírios, lírios, águas do rio, a lua…
Ante o Seu corpo o sonho meu flutua
Sobre um paul — extática corola.

Muda outra vez: gorjeios, estribilhos
Dum clarim de oiro — o cheiro de junquilhos,
Vívido e agro! — tocando a alvorada…

Cessou. E, amorosa, a alma das cornetas
Quebrou-se agora orvalhada e velada.
Primavera. Manhã. Que eflúvio de violetas!

Esvelta surge! Vem das águas, nua,
Timonando uma concha alvinitente!
Os rins flexíveis e o seio fremente…
Morre-me a boca por beijar a tua.

Sem vil pudor! Do que há que ter vergonha?
Eis-me formoso, moço e casto, forte.
Tão branco o peito! — para o expor à Morte…
Mas que ora — a infame! — não se te anteponha.

A hidra torpe!… Que a estrangulo… Esmago-a
De encontro à rocha onde a cabeça te há-de,
Com os cabelos escorrendo água,

Ir inclinar-se, desmaiar de amor,
Sob o fervor da minha virgindade
E o meu pulso de jovem gladiador.

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Desce em folhetos tenros a colina
— Em glaucos, frouxos tons adormecidos,
Que saram, frescos, meus olhos ardidos,
Nos quais a chama do furor declina…
Desce em folhedos tenros a colina:

Oh vem, de branco — do imo da folhagem!
Os ramos, leve, a tua mão aparte.
Oh vem! Meus olhos querem desposar-te,
Refletir-te virgem a serena imagem.

De silva doida uma haste esquiva
Quão delicada te osculou num dedo
Com um aljôfar cor-de-rosa viva!…

Ligeira a saia… Doce brisa, impele-a.
Oh vem! De branco! Do imo do arvoredo!
Alma de silfo, carne de camélia…

Floriram por engano as rosas bravas
No Inverno: veio o vento desfolhá-las…
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caístes!…
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que um momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos…

Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze – quanta flor! – do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?

Camilo Pessanha, in “Phonographo” de “Clepsidra”/”A Tribuna de Lisboa” (15 de Outubro de 1899) e datado de “Macau, 1896”

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Entre pecados e gralhas qual é o estado da nação?

Assistimos a um debate sobre o estado da nação e foi confrangedor assistir ao mesmo e pior assistir ao resumo que muitos órgãos de comunicação social televisivo fizeram do mesmo!!! Mas entre os sete pecados apontados pelo PS que este governo cometeu e as dez pragas que um mentiroso que por acaso é nosso primeiro-ministro apontou em resposta, qual é o verdadeiro estado da nação?

Primeiro a cobertura televisiva em relação ao debate:

Na RTP1 toda a cobertura foi parcial aliás o jornal da noite poderia mudar a sua emissão para a Lapa e colocá-la ao serviço do Ministro Poiares Maduro que nós compreenderia-mos o porquê da parcialidade e não nos importaríamos com esta!!! Mas tendo em conta que eu e todos vós pagamos uma taxa para manter aqueles jornalistas e aquele pivot milionário que se chama José Rodrigues dos Santos, que já nos habituou à sua parcialidade política e ideológica ao longo destes quatro anos que roça não só o racismo social como o  ser um seguidor ideológico do liberalismo puro e duro social aplicado a uma nação não tendo em conta nenhum dos seus compatriotas, coisa aliás de novo rico que deslumbrado pelo dinheiro ganho a escrever romances de cordel cada vez mais repetitivos e uma fraca imitação de escritores americanos adeptos de teorias de conspiração, exigia-se pelo menos e no mínimo mais profissionalismo (apontando os números de 2014) e menos previsões (e/ou propaganda política do governo)!!!

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Na SIC e na TVI as coisas foram bem mais equilibradas o que só nos demonstra que o que aconteceu na RTP1 foi algo encomendado pelos governantes que nos (des)governam todos os dias e aceite pelos militantes jornalistas que o espalharam!!! Exige-se algum decoro e independência de alguém que já que não se respeita a si próprio nem os telespectadores que os vêm deveria pelo menos respeitar o seu código deontológico profissional!!!

Qual o estado da nação que estes senhores nos deixam ao fim de quatro anos?

Costumam dizer os que para darem uma de politicamente corretos que houve coisas boas e coisas más e que nem tudo foi mau e que nós como democratas devemos reconhecer isso!!!

Vejamos e comecemos então pelos tais pontos positivos, é que são tão poucos que os podemos resumir em parcas linhas: primeiro foi cumprido o memorando de entendimento e por isso livrámos-nos da troika que vinha cá de três em três meses e agora só vêm de seis em seis meses que teve com consequência um custo social e de riqueza nacional brutal; segundo aumentámos as exportações embora saibamos que o fizemos porque não só o mercado interno está anémico como as exportações de produtos refinados representam uma grande parte destas graças a um investimento efetuado pelo anterior governo a uma companhia petrolífera; terceiro o estado emagreceu através de reformas antecipadas, despedimento de pessoas que estavam a prazo, contratação precária a empresas terceiras de trabalhadores tarefeiros e de desempregados em regime de trabalho escravo social não lhes pagando o que merecem mas um subsidio de desemprego e por fim desmantelando serviços públicos e privatizando outros encapotadamente dando como exemplo a municipalização dos serviços de educação onde passaram alguns funcionários para o âmbito camarário!!!

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Eis então o que se resume de positivo os anos de governação desta coligação!!! Podem ter falado das tais “dez pragas do Egito” de que a governação do PS foi pelos vistos culpada e nela porem coisas que até nem são reais como as PPP´s (em que os governos do PPD/PSD+CDS-PP foram e continuam a ser especialistas) e o facto de terem “chamado” a troika coisa que até membros dos próprios partidos da coligação contestam!!!

Por esse motivo é que o PS tem razão em apontar os tais “sete pecados capitais”: continuada mentira eleitoral sobre cortes de salários e pensões, e sobre impostos; aumento do desemprego, da precariedade e da emigração; asfixia da classe média; aumento da pobreza e das desigualdades; abandono da prioridade ao conhecimento com um grande desinvestimento na ciência, educação e cultura; ataque aos serviços públicos em particular na Saúde e na Justiça, acrescentando a isso a incompetência (e eu acrescento compadrio) na gestão destes serviços; quebra brutal do investimento público e privado!!!

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Precisamos de contestar muito estes pecados, ou são óbvios?

Estará o país assim tão bem?

Então porque será que as pessoas querem mudar?

O real resultado do debate é qual?

Nenhum!!!

Apenas serve para desmontar mentiras e essas por mais pragas mentirosas que se enumere não podem ser escamoteadas!!!